Cada vez mais, o artesanato tem conquistado um público jovem ao resgatar tradições manuais e, ao mesmo tempo, dialogar com valores contemporâneos como autenticidade, sustentabilidade e criatividade. Em feiras e nas redes sociais, técnicas como crochê, antes associadas às gerações mais velhas, estão sendo reinventadas por adolescentes e jovens adultos que compartilham suas criações e estilos próprios, transformando linhas e fios em expressão pessoal e até fonte de renda extra. Essa tendência, observada também em movimentos internacionais de “slow crafting”, reflete um interesse crescente por atividades que oferecem significado, conexão social e alívio do ritmo acelerado da vida digital, aproximando os jovens de experiências manuais que valorizam o processo criativo tanto quanto o resultado final.
Entre linhas e agulhas, um tempo para respirar
Em um mundo cada vez mais conectado e acelerado, estar entre linhas e agulhas é quase um luxo. Isso porque, segundo pesquisas internacionais, os trabalhos manuais proporcionam inúmeros benefícios para a saúde mental. Estudos apontam que atividades como tricô e crochê ajudam a desacelerar, promovem relaxamento e criam pausas necessárias em meio à rotina digital intensa.
Segundo pesquisa publicada na ScienceDirect, estudos internacionais sobre tricô, crochê e outras artes manuais indicam que a prática regular desses trabalhos está associada a benefícios cognitivos e emocionais relevantes. O estudo afirma que atividades que envolvem repetição de movimentos, atenção sustentada e a criação de um objeto concreto favorecem estados de calma e relaxamento, contribuindo para a redução do estresse e da tensão emocional.
Os participantes relatam aumento da sensação de felicidade e bem-estar, além de um senso de realização e recompensa pessoal ao concluir um projeto, o que impacta positivamente a autoestima e a percepção de competência. A pesquisa também aponta que essas práticas funcionam como formas acessíveis de expressão criativa e, quando realizadas em grupo, fortalecem a conexão social e o sentimento de pertencimento.
Outro estudo de destaque é a pesquisa internacional “Happy Hookers: findings from an international study exploring the effects of crochet on wellbeing”, publicada em 2020 no periódico Perspectives in Public Health. O levantamento analisou respostas de 8.391 participantes de 87 países e revelou que 89,5% dos entrevistados se sentiram mais calmos após crochetar, 82% mais felizes e 74,7% mais úteis.
A melhora no humor antes e depois da prática foi estatisticamente significativa, reforçando o papel do crochê como uma atividade de baixo custo, acessível e eficaz para promover bem-estar emocional, reduzir o estresse e fortalecer vínculos sociais.


