Muito além de um residencial para pessoas idosas, a Agerip, Associação Geronto Geriátrica de Rio Preto, se consolidou na cidade como um modelo inédito de moradia e acolhimento de pessoas idosas no País. Com estrutura de condomínio e diferentes níveis de cuidado, o residencial conta com 200 moradores divididos em moradias independentes, apartamentos com assistência, casa de repouso e espaços de convivência ativa, com atividades físicas, artísticas e sociais para moradores entre 50 e 100 anos em um ambiente planejado para a maturidade com dignidade e autonomia.
Criada em 1975 a partir da iniciativa de um grupo de amigos liderado pelo comendador Antônio Corrêa Leite, a Agerip nasceu com o propósito de transformar a forma de envelhecer. Inspirada em modelos internacionais de moradia para idosos, especialmente do Canadá, uma das idealizadoras, Maria Cândida Pereira Azem — conhecida como Candinha —, pensou a Agerip a partir de um conceito inovador no Brasil: o de um “condomínio sênior” que une autonomia, convivência e suporte.
Em entrevista à Bem-Estar em abril, Candinha destacou que a proposta da Associação nasceu da necessidade de romper com o modelo tradicional de institucionalização e criar um espaço em que o envelhecimento é vivido como continuidade da vida e não como ruptura. Um projeto pensado para preservar a independência dos moradores. “Agerip é pioneira no Brasil. Neste ano, completamos 51 anos com um modelo de moradia para 50+ que é inédito”, afirma o presidente Sinval Galvão da Silva.
A proposta, desde a fundação, é oferecer não apenas moradia, mas um projeto de vida, baseado em independência, liberdade, segurança e bem-estar. Formalizada como associação em 1976 e instalada às margens da Rodovia Assis Chateaubriand, a instituição evoluiu ao longo das décadas e hoje conta com associados e moradores de diferentes regiões do Brasil. O grande diferencial está no modelo de acolhimento com três níveis de moradia de acordo com o grau de independência dos residentes.
A primeira parte é composta por 135 chalés — casas construídas por moradores, os quais levam uma vida totalmente autônoma, com liberdade para entrar e sair quando quiserem. “Um condomínio normal, cada morador e moradora com vida própria e independência”, explica o presidente. Outra parte é composta pelos apartamentos com suporte e monitoramento, incluindo botão de emergência 24 horas e assistência de saúde. “Moradores que são independentes, mas precisam de um acompanhamento”, conta Sinval Galvão.
Um terceiro modelo de acolhimento da associação são as alas destinadas a pessoas com maior dependência e necessidade de assistência integral. “Pessoas idosas com total dependência que necessitam de assistência de saúde 24 horas”, afirmou o presidente. “Um serviço que oferecemos não só para Rio Preto, como também para a região e o Brasil, com moradores do Guarujá, Mato Grosso do Sul e outros locais”, complementa.
Cuidado e atenção.
O complexo da Agerip conta com ampla infraestrutura de lazer e convivência: salas de arte, espaços de convivência, salão de beleza, piscina, academia, espaço para pilates, espaços culturais e atividades, como danças, celebrações, além de missas, palestras espíritas e cultos com pastores. “Temos atividades todos os dias: pinturas, costura, pilates, academia, pesca, esportes, baralho e várias outras atividades. Este é o nosso diferencial sem depender da família”, reforça o presidente.
A Associação também celebra datas do calendário anual e datas criadas para atividades especiais, rodas de conversa e clubes de memórias. Espaços como o orquidário, bosque, coreto e a represa são espaços de bem-estar e contato com a natureza. Mais do que um residencial, a Agerip rompe, portanto, com o conceito tradicional de casas de repouso e se consolida como uma comunidade. “Mais de 200 moradores efetivos com padrão de vida significativo em um método de referência nacional”, afirma Sinval Galvão.
Estrutura
A estrutura da Agerip é sustentada por uma equipe especializada, formada por cerca de 120 profissionais preparados para atender às demandas com olhar integral. O trabalho é multidisciplinar e envolve psicólogos, médicas geriatras, técnicas, fisioterapeutas, assistentes sociais, educadores físicos, cuidadores e monitores de atividades recreativas e cognitivas, que atuam na promoção do bem-estar físico, emocional e social dos moradores. Na casa de repouso, aproximadamente 40 profissionais se dedicam aos cuidados diretos e acompanhamento contínuo.
O conjunto de serviços, segundo o presidente da Associação, reforça a proposta da instituição de oferecer não apenas assistência, mas qualidade de vida, estímulo à autonomia e envelhecimento ativo. “Nas refeições, são seis refeições diárias, 150 refeições só no almoço. Mais de uma tonelada de alimentos por mês. Tudo elaborado e balanceado por nutricionistas”, afirma Sinval Galvão.
Segundo o presidente, todos os setores são interligados, da portaria e do administrativo aos profissionais de saúde. “Com atendimento individualizado e acordo com a necessidade de cada um. Equipes que passam por treinamento diário, semanal e mensal”, destaca. “Sempre trabalhamos a compreensão, a empatia, a humanização e o acolhimento como pilares”, complementa.

