Durante muito tempo associado quase exclusivamente a academias, dietas e alimentação fitness, o açaí vem revelando uma dimensão muito maior. Fruto típico da Amazônia, ele faz parte da alimentação cotidiana de populações do Norte brasileiro, movimenta uma cadeia econômica importante, é objeto de pesquisas científicas e, desde janeiro deste ano, passou a ter também um reconhecimento oficial: o açaí foi declarado fruta nacional do Brasil.
A mudança está prevista na Lei nº 15.330, de 7 de janeiro de 2026, publicada no Diário Oficial da União em 8 de janeiro. A norma alterou a legislação de 2008, que já reconhecia o cupuaçu como fruta nacional, e passou a incluir o açaí, fruto do açaizeiro (Euterpe oleracea), entre as frutas oficialmente designadas como nacionais.
A expectativa em torno da medida vai além do simbolismo. O reconhecimento pode reforçar a identidade brasileira do produto e contribuir para a proteção do patrimônio genético associado à espécie. Um dos argumentos apresentados durante a tramitação da proposta foi justamente o combate à biopirataria. Em 2003, uma empresa japonesa chegou a registrar uma patente relacionada ao açaí, mas o registro foi posteriormente cancelado, em 2007, após atuação do governo brasileiro.
A distância entre a forma como o açaí é consumido na Amazônia e o modo como se popularizou em outras regiões do país é significativa. Em Rio Preto, por exemplo, e em outras partes do Brasil, tornou-se comum encontrar a fruta em tigelas geladas, acompanhada de banana, granola, leite em pó, mel, caldas, leite condensado e outros ingredientes. Na região Norte, entretanto, a relação com o alimento é outra.
Para as populações do Pará e de outros estados amazônicos, o açaí tradicionalmente integra refeições e pode ser consumido com farinha de mandioca, peixe frito ou camarão. Em vez de uma sobremesa, pode ocupar o lugar de um alimento básico, com sabor mais terroso e, muitas vezes, sem adição de açúcar.
A transformação do produto ao chegar a outras regiões também ajudou a criar a imagem do açaí como alimento associado ao universo fitness. A polpa, porém, não é apenas uma fonte de energia para quem pratica atividade física. A fruta possui gorduras, fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos, especialmente polifenóis.
E há ainda outras partes do açaizeiro que possuem aproveitamento. As sementes podem ser utilizadas no artesanato e como fonte de energia, substituindo a madeira. Do caule pode ser extraído o palmito, enquanto as raízes possuem uso tradicional como vermífugo.
Benefícios
A nutricionista esportiva Gabriela Mieko Yoshimura, do Espaço Einstein de Reabilitação e Esporte do Einstein Hospital Israelita, afirma em um artigo que o açaí puro é fonte de vitaminas, como A e C. A C, por exemplo, é importante para fortalecer o sistema imunológico, além de estimular a produção de colágeno, que deixa pele, cabelo e unhas mais saudáveis. A fruta pura, além de ser rica em antioxidantes, gorduras saudáveis e vitaminas, também fornece fibras e minerais, sendo fonte de energia com alta densidade nutricional.
Gabriela afirma que o açaí é rico em gorduras e, portanto, em calorias, sendo classificado como um alimento denso em energia. Além disso, também fornece boa quantidade de carboidratos, proteínas, fibras alimentares, vitaminas e minerais.
O açaí, segundo a nutricionista, é rico em compostos bioativos, também chamados de fitoquímicos, que, embora não sejam classificados como nutrientes essenciais no sentido tradicional, são benéficos à saúde. A frutinha amazônica esbanja polifenóis, principalmente as antocianinas (que dão sua cor vermelha arroxeada) e proantocianidinas, além de outros flavonoides, que atuam como antioxidantes.


