Durante muito tempo, a cenoura ficou conhecida por beneficiar a visão graças ao betacaroteno, precursor da vitamina A. Hoje, porém, pesquisadores investigam outros compostos presentes na raiz, entre eles o falcarinol, substância produzida naturalmente para protegê-la de fungos.
Estudos em laboratório mostram que o falcarinol e outros poliacetilenos podem reduzir a proliferação de células de câncer colorretal e estimular a apoptose, processo natural de eliminação de células danificadas. Embora os resultados sejam promissores, isso não significa que a cenoura trate ou previna o câncer.
"A cenoura não chama atenção apenas pelas vitaminas. Ela contém fibras, carotenoides e compostos bioativos que atuam em diferentes processos do organismo. É essa combinação que torna o alimento tão interessante", explica o médico nutrólogo Dr. Cláudio Mutti.
Pesquisas com seres humanos também apontam benefícios. Um estudo que acompanhou mais de 57 mil dinamarqueses por 18 anos observou que o consumo regular de mais de 32 gramas de cenoura crua por dia esteve associado a um risco 17% menor de câncer colorretal. Outro grande estudo norte-americano encontrou associação semelhante, reforçando que o benefício depende da regularidade, e não do consumo excessivo.
Além do falcarinol, a cenoura é rica em fibras, que favorecem o trânsito intestinal, alimentam bactérias benéficas da microbiota e contribuem para o controle da inflamação.
"O alimento não substitui o diagnóstico, o tratamento ou os exames preventivos. Mas conhecer esses compostos ajuda a entender por que uma alimentação rica em vegetais está associada à proteção da saúde no longo prazo", afirma Dr. Mutti.
Segundo o especialista, os possíveis efeitos protetores resultam da combinação entre compostos bioativos, fibras, microbiota e hábitos saudáveis, e não de um único ingrediente isolado.
