Espirros em sequência, nariz entupido, coriza, coceira nos olhos e irritações na pele podem se tornar mais frequentes na primavera em crianças predispostas a alergias. A estação favorece a presença de pólen em algumas regiões, além de coincidir com variações de temperatura, poluição e umidade, que favorecem o crescimento de fungos e mofo.
Segundo a médica Andréa Huguenim Silva Pires, coordenadora do curso de Medicina da Afya Unigranrio Barra da Tijuca, a intensidade da exposição ao pólen varia conforme a região. "No nosso país, a região mais afetada é o sul, onde temos a estação polínica. Outras regiões sofrem menos com esse fator", explica.
Os sintomas podem prejudicar o sono, a disposição e o desempenho escolar. Por isso, identificar os fatores desencadeadores e reconhecer os sinais de alergia são medidas importantes para controlar as crises.
Como diferenciar alergia de resfriado?
A rinite alérgica costuma provocar espirros repetidos, obstrução nasal, coceira no nariz e nos olhos e lacrimejamento. Os sintomas podem persistir por semanas ou reaparecer em determinadas épocas do ano. Já o resfriado geralmente dura poucos dias e pode vir acompanhado de febre baixa e mal-estar.
"Se os sintomas permanecem por semanas ou aparecem sempre em determinadas épocas do ano, é provável que se trate de alergia e não de uma infecção viral", afirma a médica. "Em caso de dúvida ou persistência dos sintomas, é importante procurar avaliação profissional".
Poeira, ácaros e mofo: quais cuidados adotar em casa?
Ácaros, mofo, pelos de animais e partículas acumuladas em tecidos estão entre os fatores que podem desencadear crises. A médica recomenda lavar semanalmente as roupas de cama, evitar o excesso de bichos de pelúcia no quarto, manter os ambientes ventilados e controlar a umidade.
Cortinas, tapetes e estofados devem ser aspirados com frequência. Também é recomendável evitar que animais de estimação durmam no quarto da criança. As medidas, porém, devem considerar os fatores que realmente provocam os sintomas em cada caso.
É preciso evitar passeios ao ar livre na primavera?
Não é necessário suspender brincadeiras e atividades físicas ao ar livre. A orientação é adaptar a rotina em dias de muito vento ou tempo seco, quando os sintomas podem piorar. Priorizar passeios no fim da tarde, usar óculos de sol e, após as atividades, trocar a roupa da criança e lavar o rosto ajudam a reduzir o contato com partículas do ambiente.
Observar se os sintomas pioram após determinados passeios também permite identificar situações que exigem cuidados adicionais.
Quando procurar atendimento médico?
É importante buscar avaliação quando os sintomas são frequentes, prejudicam o sono ou o desempenho escolar ou vêm acompanhados de chiado no peito. Dificuldade para respirar exige atendimento imediato.
A automedicação deve ser evitada, pois nem todos os medicamentos são adequados para crianças. "O tratamento médico pode incluir medidas de controle ambiental, uso de medicamentos seguros e, em alguns casos, imunoterapia. A escolha depende da avaliação individual. Com acompanhamento adequado e redução da exposição aos gatilhos identificados, é possível controlar as crises e preservar o bem-estar infantil".
