Induzir a gratidão — seja por meio de uma mensagem de apreço ou de uma lista de motivos para agradecer — melhora o humor e as relações sociais, aumentando o otimismo e reduzindo a inveja. É o que mostra um estudo com mais de 10 mil participantes de 34 países, publicado em maio na revista PNAS. No Brasil, participaram 598 voluntários.
Entre as seis estratégias testadas, a mais eficaz foi escrever e enviar uma mensagem a alguém por quem se sente gratidão. A menos eficaz foi simplesmente listar cinco coisas pelas quais se é grato. As demais incluíam escrever uma carta sem enviá-la, praticar a reflexão de Naikan, lembrar acontecimentos positivos e imaginar a vida sem eles e escrever uma carta a Deus ou a uma entidade espiritual.
“Um dos principais resultados a que chegamos é que, no geral, todas as intervenções propostas funcionaram”, afirma o psicólogo Paulo Sérgio Boggio, da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Para ele, porém, o maior efeito ocorreu quando houve conexão social. “A questão da conexão social é central.”
Todas as intervenções produziram efeitos superiores aos das práticas de controle, como responder a questionários ou escrever genericamente sobre acontecimentos. “Para a intervenção ser melhor, produzir mais efeito, ela tem de ser mais do que simplesmente pensar em uma coisa boa”, diz Boggio.
O estudo identificou aumento do afeto positivo, reciprocidade social, satisfação com a vida e otimismo, além de redução do afeto negativo e da inveja. Os efeitos, porém, variaram bastante entre os países. No México, foram maiores; na Noruega, quase nulos; e o Brasil ficou no meio da escala. Aspectos como normas culturais, desigualdade hierárquica e religiosidade influenciaram os resultados.
Para Boggio, a gratidão tem forte componente social. “Sentir-se grato aumenta a probabilidade de você ajudar outras pessoas – e não necessariamente a pessoa que te ajudou”, afirma. Segundo ele, isso pode criar “uma espiral de ajuda entre as pessoas”, fortalecendo laços e conexões.
Os pesquisadores agora buscam entender se as diferenças entre os países estão relacionadas às normas sociais locais ou se seria necessário desenvolver estratégias específicas para cada cultura. Boggio destaca ainda a importância de ampliar as pesquisas para além dos países ocidentais: “Mais ou menos 50% dos estudos de gratidão têm origem norte-americana.”
