Esse mês é marcado pela campanha Junho Laranja, voltada à conscientização sobre a anemia e a leucemia. Apesar de comum, a anemia ainda gera dúvidas e pode ter o diagnóstico e tratamento retardados por informações equivocadas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 30% da população mundial convive com algum tipo de anemia. No Brasil, a deficiência de ferro, principal causa da doença, afeta especialmente crianças, mulheres em idade fértil e gestantes.
A anemia é caracterizada pela redução da hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio no organismo. Entre os sintomas e complicações estão fadiga intensa, alterações cognitivas e problemas cardíacos.
O hematologista Pedro Neffá, da Rede D’Or, esclarece alguns mitos e verdades:
1. Apenas gestantes fazem parte do grupo de risco - Mito
Embora a gravidez aumente a demanda de nutrientes e favoreça o desenvolvimento da anemia, outros grupos também apresentam risco elevado. Crianças e bebês necessitam de grande quantidade de nutrientes para o crescimento, enquanto idosos e pacientes submetidos à cirurgia bariátrica podem apresentar dificuldades na absorção de vitaminas e minerais. “As mulheres em idade fértil também merecem atenção devido às perdas sanguíneas durante o período menstrual”, destaca o especialista.
2. Toda anemia é causada pela falta de ferro - Mito
A deficiência de ferro é a causa mais frequente da doença, mas está longe de ser a única. “Além da falta de ferro, a anemia pode ocorrer por deficiência de vitamina B12, ácido fólico, doenças renais, alterações da medula óssea e condições hereditárias, como a anemia falciforme”.
3. Cansaço é o único sintoma da anemia - Mito
A fadiga é um dos sinais mais conhecidos, mas não o único. Palidez na pele e mucosas, tonturas, dores de cabeça frequentes, queda de cabelo e unhas frágeis também podem indicar a presença da doença. Nos casos mais avançados, o paciente pode apresentar falta de ar e aceleração dos batimentos cardíacos mesmo após pequenos esforços.
Outro sintoma menos conhecido é a chamada “perversão do apetite”, caracterizada pela vontade de mastigar substâncias sem valor nutricional, como gelo. O especialista alerta que sintomas associados à perda significativa de sangue nas fezes exigem avaliação médica imediata em um pronto-socorro.
4. Feijão e beterraba podem curar a anemia - Verdade em partes
O feijão é uma importante fonte de ferro, mas o nutriente de origem vegetal é absorvido com menor eficiência pelo organismo quando comparado ao ferro presente nas carnes vermelhas. “A associação com alimentos ricos em vitamina C, como laranja e limão, ajuda a melhorar a absorção do ferro”.
Já a beterraba possui quantidade reduzida de ferro. Sua fama como alimento indicado para anemia está relacionada principalmente à cor avermelhada, e não ao potencial terapêutico.
5. Transfusão de sangue pode ser utilizada no tratamento - Verdade
A transfusão sanguínea faz parte das opções terapêuticas, mas é reservada para situações específicas e mais graves. Na maioria dos casos, o tratamento envolve correção alimentar e reposição de ferro ou vitaminas por via oral ou endovenosa. “A transfusão é indicada quando há risco imediato à vida devido à queda crítica da hemoglobina ou em situações de hemorragia aguda e importante”.
6. Suplementos de ferro ajudam a emagrecer - Mito
Não existe comprovação científica de que a suplementação de ferro promova perda de peso. Segundo o especialista, a melhora da disposição após a correção da anemia pode favorecer a retomada das atividades físicas e da rotina diária, mas o suplemento não atua diretamente na queima de gordura.
7. A anemia pode evoluir para leucemia - Mito
A anemia não se transforma em leucemia: “a leucemia é um câncer que se origina na medula óssea e pode causar anemia como um dos seus sintomas. No entanto, uma anemia causada por deficiência nutricional não evolui para um quadro oncológico”.
