Entre memória, arquitetura e novas experiências de consumo, uma das residências mais ícônicas de Rio Preto abre suas portas ao público de forma inédita. A Mansão Estrella, símbolo de uma época marcada pela sofisticação e pelo convívio familiar, se transforma no cenário da 1ª edição da Mansão Outlet, com projeto assinado pelo renomado arquiteto José Carlos de Lima Bueno.
Capitaneado pelos empresários Dil Grande e Patrícia Buzzini, e pelos arquitetos Alan Chaves e Heloisa Maltarolo, com a participação das arquitetas Bárbara Estrella e Taynara Maia, o evento propõe uma nova experiência de negócios e encontros humanizados na cidade. Com entrada franca, a programação segue de 17 a 30 de abril, das 10h às 22h, reunindo diferentes segmentos em um ambiente sofisticado e acolhedor.
Mais do que um evento voltado ao mercado de luxo, a iniciativa oferece uma vivência que vai além das compras: é um convite para percorrer ambientes carregados de história, afeto e identidade, agora ressignificados para receber marcas, encontros e experiências. A área gastronômica também ganha protagonismo, com a assinatura de um dos restaurantes mais conhecidos da cidade, o Lótus Restaurante, responsável por um café especialmente pensado para complementar a experiência dos visitantes. A manutenção e acessibilidade da casa ficou por conta da LR Construtora.
Ao mesmo tempo, um espaço dedicado à trajetória da família Estrella revela as camadas de memória que ajudaram a consolidar o imóvel como um dos mais emblemáticos da cidade. Como representantes da família Estrella e parceiros do evento, os primos Bárbara Estrella e Alvaro Estrella Neto compartilham as origens, os significados e as transformações de uma casa pensada, desde o início, para reunir pessoas e que agora amplia esse propósito ao acolher o público.
Confira a entrevista a seguir:
BE – A Mansão da família Estrella, localizada no bairro da Redentora, é um dos imóveis mais emblemáticos de Rio Preto. Como nasceu o projeto da casa?
Alvaro Neto – O projeto nasceu a partir de uma idealização muito especial da minha avó, que sempre teve o desejo de construir um ambiente voltado à união da família.
A inspiração arquitetônica veio das viagens que ela realizou ao longo da vida. Em uma delas, em especial, ela se encantou profundamente pela arquitetura espanhola, mais especificamente pela linha californiana e isso passou a ser uma referência central para o projeto.
A partir disso, a casa foi concebida como o ponto focal da família: um espaço pensado para acolher todas as necessidades do dia a dia, mas também para refletir quem ela era. Ambientes dedicados aos seus hobbies, como costura e pintura, foram incorporados de forma muito intencional, trazendo identidade e significado para cada espaço. Mas, acima de tudo, o propósito maior sempre foi criar um lugar de encontro, um ambiente que fortalecesse os laços entre filhos, netos e toda a família, traduzindo, na arquitetura, o valor da convivência.
BE – A matriarca da família teve um papel decisivo na concepção da residência. De que maneira ela participou do processo de criação e execução do projeto assinado pelo arquiteto Lima Bueno?
Alvaro Neto – A participação da matriarca foi absolutamente central. Ela esteve presente em praticamente todas as etapas, desde as primeiras ideias até as decisões finais de acabamento. Mais do que acompanhar, ela direcionou o projeto em muitos momentos, especialmente no que diz respeito à funcionalidade dos ambientes e à forma como a casa seria vivida no dia a dia.
Sua sensibilidade foi essencial para trazer equilíbrio ao projeto. Enquanto a arquitetura trazia imponência e técnica, foi ela quem garantiu que a casa mantivesse sua essência acolhedora, elegante e, acima de tudo, humana.
BE – Crescer (ou conviver) nesse espaço certamente trouxe experiências únicas. Quais memórias mais marcantes da família vocês guardam vividas na mansão?
Bárbara Estrella – Crescer nesse espaço foi viver uma infância muito marcada pela convivência em família. As minhas memórias mais fortes são dos domingos. A gente sempre almoçava fora e, depois, voltava para a casa dos meus avós. Era um ritual. Eu e meus primos amávamos porque sabíamos que o dia continuava ali. A casa, com toda a sua dimensão, sempre despertou na gente uma liberdade muito grande de brincar e explorar. A piscina, o escritório do meu avô, a sala de televisão onde muitas vezes dormíamos todos juntos com a minha avó… cada ambiente guarda uma lembrança.
E existem também aqueles detalhes que ficam para sempre, como a escada sem corrimão de um dos lados, onde minha avó sempre nos orientava a subir encostados na parede, com cuidado.
No fim, mais do que a grandiosidade da casa, o que permanece é a sensação de acolhimento, de liberdade e de felicidade. É um espaço que carrega a essência da nossa história em família.
BE – A casa já foi palco de encontros e eventos importantes? Existe algum momento especial que simbolize bem a essência desse lugar?
Alvaro Neto – Sem dúvida, os momentos mais marcantes são aqueles em que a casa cumpre o seu propósito original: reunir pessoas. Ao longo dos anos, a mansão foi palco de encontros importantes, celebrações familiares e eventos que marcaram a trajetória da família. Mas, mais do que eventos grandiosos, são os momentos simples, as reuniões, os almoços em família e as comemorações que traduzem a essência do lugar.
A casa foi feita para ser vivida. E é exatamente nesses momentos que ela ganha sentido.
BE – Ao longo dos anos, a casa se tornou parte da história da cidade. Na visão de vocês, qual é a importância dela para o patrimônio cultural de Rio Preto?
Bárbara Estrella – Ao longo dos anos, essa casa deixou de ser apenas um espaço privado e passou a ocupar um lugar muito especial no imaginário da cidade. Ela chama atenção pela sua presença, pela arquitetura e pela forma como se destaca no entorno. É uma casa que tem identidade, que desperta curiosidade e que, de alguma forma, sempre foi observada e admirada por quem passa ou ouve falar. Acredito que a importância dela está justamente nesse valor afetivo e simbólico que construiu ao longo do tempo. Ela carrega histórias, memórias e representa um momento, um estilo, uma forma de viver que marcou a nossa família e também despertou o interesse das pessoas ao redor.
Como arquiteta, eu vejo muito valor em espaços assim, que têm personalidade e conseguem gerar conexão, mesmo sem necessariamente serem públicos. E abrir a casa para um evento como esse é uma forma muito leve e natural de aproximar as pessoas, permitindo que elas vivenciem o espaço e criem também as próprias percepções sobre ele.
BE – Quais são as suas expectativas para a 1ª Edição da Mansão Outlet, evento idealizado pelos empresários Dil Grande e Patrícia Buzzini e pelos arquitetos Alan Chaves e Heloisa Maltarolo? Houve alguma resistência da família para a realização do evento na casa?
Bárbara Estrella – As minhas expectativas são muito positivas. Eu vejo esse evento como uma proposta interessante para a cidade, principalmente por reunir diferentes marcas e segmentos em um mesmo espaço, criando uma experiência dinâmica para quem participa. A casa, por si só, já desperta curiosidade, então poder receber um evento com esse formato acaba potencializando essa vivência, trazendo um novo olhar sobre o espaço. Como arquiteta, eu acho especialmente interessante observar como um ambiente residencial pode ser temporariamente ressignificado, ganhando novos usos e novas formas de ocupação.
Em relação à família, a decisão partiu principalmente dos meus avós, junto com a minha mãe e o meu tio, e foi recebida de forma muito positiva. Existe um carinho muito grande pela casa, e para eles tem um significado especial poder ver esse espaço sendo vivido de uma forma diferente, ainda em vida. Eles estão muito felizes em abrir as portas para essa experiência, confiando no trabalho dos organizadores, que são os responsáveis pela idealização e condução do evento.
A nossa participação, nesse contexto, está relacionada à cessão do espaço. Acredito que será uma experiência muito positiva para a cidade e para todos os envolvidos.
BE – Na 1ª edição da Mansão Outlet, um espaço será dedicado a um memorial da família. Como foi o processo de selecionar fotos, objetos e registros para contar essa trajetória familiar ao público?
Bárbara Estrella – O memorial não foi pensado como um registro da família, mas como uma leitura da casa ao longo do tempo.
A proposta partiu de uma curadoria cuidadosa, reunindo plantas, registros e elementos que ajudam a traduzir a arquitetura do espaço, suas intenções de projeto e a forma como ele foi sendo vivido ao longo dos anos.
Mais do que reunir informações, a ideia foi construir uma narrativa que permitisse compreender a casa em profundidade, para além da sua imagem atual. Existe uma história silenciosa em cada decisão arquitetônica, e trazer isso à tona enriquece muito a experiência de quem visita.
Como arquiteta, eu acredito nesse olhar que valoriza o espaço em si, sua concepção e sua permanência. O memorial vem nesse sentido, de destacar a arquitetura e tudo o que ela carrega.
BE – Bárbara, você e seu primo Alvaro Estrella Neto participam como parceiros da Mansão Outlet. Como arquiteta e membro da família Estrella, qual foi a sensação de ajudar a transformar os ambientes da casa para o evento?
Bárbara Estrella – A minha participação acontece de forma pontual, dentro de um olhar técnico sobre o espaço. Como arquiteta, estou acompanhando justamente para garantir que todas as intervenções respeitem a arquitetura da casa e a sua integridade, preservando as características do projeto original durante esse uso temporário. Tem sido interessante observar os ambientes sendo ocupados dentro de um contexto diferente, quase como um exercício de olhar para a casa de forma mais técnica e menos afetiva, entendendo novas possibilidades de uso sem que isso comprometa a sua essência.
Então, mais do que uma transformação dos espaços, existe um cuidado em orientar e validar essas adaptações, para que aconteçam de forma coerente, responsável e sem interferências que descaracterizem o projeto.
BE – Neto, você será responsável pelo espaço que leva o nome da sua imobiliária: “ Allu Imóveis”, Hub Imobiliário de Alto Padrão. Como empresário e membro da família Estrella, qual é a importância desse tipo de iniciativa para impulsionar negócios e a economia local?
Alvaro Neto – A Allu Imóveis nasceu com um propósito muito claro: trabalhar com imóveis de alto padrão de forma próxima, entendendo bem cada cliente e cada oportunidade. Esse é um trabalho que eu construo junto com o meu sócio, Lucas Polezi. Nós compartilhamos a mesma visão de mercado, mais estratégica, mais relacional e focada em qualidade, não em volume. Isso nos permite conduzir cada negociação com mais atenção, entendendo de fato o que está por trás de cada movimento.
Estar à frente do Hub reforça exatamente isso. É uma extensão natural do nosso trabalho, um espaço que fortalece conexões e aproxima ainda mais clientes, parceiros e oportunidades. Quando esse tipo de atuação é bem conduzido, o impacto na economia local acontece de forma direta. O mercado de alto padrão movimenta diversos setores e, quando existe consistência e profissionalismo, ele gera valor real para todos os envolvidos.
O Hub vem justamente para potencializar isso, consolidando a Allu dentro desse movimento e contribuindo para um mercado cada vez mais qualificado na nossa região.
BE – A 1ª edição da Mansão Outlet também aposta em uma experiência completa, com gastronomia assinada e ambientes pensados para convivência. Nesse sentido, vocês planejam realizar alguma ação especial para os visitantes?
Bárbara Estrella – A experiência proposta para o evento é conduzida pelos organizadores, que são os responsáveis por toda essa curadoria e pelas ativações pensadas para o público. Da nossa parte, o que existe é a própria vivência da casa. A abertura desse espaço já traz uma experiência muito particular, e o memorial foi pensado justamente para contextualizar a arquitetura e permitir que as pessoas compreendam melhor a história e a essência do imóvel. A minha atuação, especificamente, está voltada ao acompanhamento técnico, garantindo que tudo aconteça de forma respeitosa com o espaço. Mas tenho certeza que os organizadores estão criando algo sensacional!
BE – Qual é a mensagem que vocês gostariam de deixar para os visitantes da 1a edição da Mansão Outlet?
Bárbara Estrella – A principal mensagem é que as pessoas se permitam vivenciar o espaço com um olhar mais atento. Mais do que visitar um evento, é uma oportunidade de perceber a arquitetura, os detalhes, as proporções e a forma como os ambientes se conectam. Existe uma experiência que vai além do que é imediato, e ela está justamente nessa relação entre espaço e vivência.
A casa foi pensada de forma muito rica, e poder percorrê-la, ainda que em um contexto diferente, é uma forma de se aproximar disso. Se as pessoas saírem com um olhar mais sensível para os espaços e para o que a arquitetura pode proporcionar, acredito que a experiência já terá cumprido um papel muito especial.
