À frente do Grupo Impper, Bruno Malvezi, 37 anos, representa uma nova geração de líderes do mercado imobiliário brasileiro. O que começou como uma loteadora familiar em São José do Rio Preto se transformou, sob sua condução, em uma das incorporadoras mais relevantes do interior paulista, reconhecida pela ousadia, sofisticação e pela capacidade de pensar o desenvolvimento urbano de forma estratégica e responsável. O reposicionamento da empresa veio acompanhado de uma expansão expressiva: de 13 para mais de 160 colaboradores diretos, projeção de cerca de R$ 500 milhões em vendas anuais e um landbank estimado em R$ 7 bilhões.
Formado em Direito pela USP, com mestrado pelo Insper e MBAs pela FGV e FIA, Bruno construiu uma carreira sólida em grandes escritórios de São Paulo antes de atender, em 2016, ao chamado do pai e mentor, o engenheiro civil Paulo Malvezi. O retorno a Rio Preto ocorreu em um dos momentos mais críticos do setor imobiliário, quando a empresa familiar enfrentava os efeitos da crise econômica. O desafio, no entanto, tornou-se oportunidade de transformação. Desde então, Bruno vem se destacando como liderança empresarial, reconhecimento que lhe rendeu o Prêmio Lide por dois anos consecutivos e o título de Jovem Empreendedor do Ano em 2024 e 2025.
Casado com a arquiteta Roberta Bergo e pai de Vitória e Beatriz, Bruno imprime à sua atuação uma visão de liderança próxima e humana, que valoriza o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Essa base familiar se reflete diretamente na forma como conduz o Grupo Impper e nos projetos que desenvolve: empreendimentos que buscam gerar impacto positivo não apenas no mercado, mas também na vida das pessoas e na construção de cidades.
Leia a entrevista a seguir:
BE – Sua formação é em direito e sua carreira começou em grandes escritórios de São Paulo. O que fez você decidir retornar a Rio Preto e assumir os negócios da família?
Bruno Malvezi – Minha formação em Direito pela USP e a experiência em grandes escritórios de São Paulo me deram uma base muito sólida em análise, estruturação e tomada de decisão. Para adquirir mais conhecimento, também fiz MBA em Gestão Empresarial na FGV e Gestão de Negócios Imobiliários na FIA. Eu estava em um ambiente altamente competitivo, lidando com operações complexas, quando em 2016 recebi um chamado direto do meu pai, Paulo Malvezi, meu mentor e de quem guardo muito apreço. A empresa vivia um momento crítico, reflexo da maior crise do setor imobiliário nas últimas décadas. Não foi uma decisão emocional. Foi uma leitura clara de responsabilidade e oportunidade. Entendi que aquele conhecimento técnico, jurídico e estratégico poderia ser aplicado para transformar um negócio familiar em um grupo estruturado, com governança, visão de longo prazo e impacto urbano real.
BE – Ao chegar, você encontrou uma empresa com apenas 13 colaboradores em meio a uma crise econômica. Qual foi o maior desafio daquele momento e como ele moldou sua forma de liderar?
Bruno Malvezi – O maior desafio foi passar pelas crises e crescer sem perder valores. Com apenas 13 colaboradores, poucos recursos e um mercado retraído, não havia espaço para erro. Isso moldou minha liderança de forma muito pragmática: decisões baseadas em dados, controle rigoroso de custos, diálogo constante com o time e foco absoluto em execução. Foi ali que aprendi que liderança não é carisma, é responsabilidade. Hoje, esse aprendizado sustenta um grupo com mais de 160 colaboradores diretos, estrutura profissionalizada e projeção de aproximadamente R$ 500 milhões em vendas anuais.
BE – Em 2019, você assumiu como CEO e reposicionou a empresa como Grupo Impper. O que essa transformação representou além da mudança de nome?
Bruno Malvezi – O reposicionamento para Grupo Impper foi uma virada estratégica. Não era apenas uma nova marca, mas uma nova forma de pensar cidade, produto e gestão. Implementamos governança, profissionalizamos áreas-chave, redefinimos o padrão de arquitetura, engenharia e experiência do cliente. A partir dali, passamos a atuar com incorporações verticais e horizontais, uso misto, bairros planejados e projetos de maior impacto urbano. Hoje, o Grupo soma mais de 30 empreendimentos lançados, 17 mil unidades entregues e um landbank estimado em R$ 7 bilhões.
BE – O Grupo Impper cresceu rapidamente. Como manter cultura, propósito e proximidade com as pessoas em uma estrutura em expansão?
Bruno Malvezi – Crescimento sem cultura vira caos. Por isso, mantemos proximidade real com as equipes e clareza absoluta de valores. Cultura se sustenta no dia a dia: metas claras, autonomia com responsabilidade e liderança acessível. Mesmo com a expansão para outros estados, preservamos a essência de uma empresa que escuta, aprende e corrige rápido. Isso reflete diretamente na qualidade dos empreendimentos e na confiança do mercado.
BE – O Connect Impper foi o primeiro empreendimento da empresa a conquistar o Selo Casa Azul da Caixa. O que a sustentabilidade representa hoje dentro do negócio?
Bruno Malvezi – Sustentabilidade, para nós, é eficiência aplicada. O Connect Impper, com duas torres de 18 pavimentos e 360 apartamentos no eixo central da cidade, mostra que é possível adensar com qualidade. O Selo Casa Azul reconhece soluções de conforto térmico, eficiência hídrica e energética, algo essencial em cidades quentes como Rio Preto. Sustentabilidade não é custo, é inteligência de projeto e valorização de longo prazo.
BE – O Legacy Impper se tornou o maior projeto da empresa até agora. O que ele simboliza dentro da trajetória do grupo?
Bruno Malvezi – O Legacy Impper simboliza maturidade. Com VGV estimado em R$ 235 milhões, ele integra uso residencial e comercial na Avenida Anísio Haddad, um dos eixos mais valorizados da cidade. São seis torres residenciais, edifício comercial, frente ativa, paisagismo biofílico e arquitetura autoral assinada por Leo Maia. É um projeto que dialoga com a cidade, qualifica o entorno e consolida nossa visão de urbanismo contemporâneo, trazendo leveza e nobreza para entrada da zona sul de Rio Preto.
BE – A expansão para Mato Grosso e Mato Grosso do Sul marca um novo momento da empresa. O que motivou essa decisão?
Bruno Malvezi – A expansão é consequência de método, não de impulso. Atuamos onde há demanda real, crescimento urbano consistente e espaço para produtos bem planejados. Cidades médias oferecem escala, velocidade de execução e possibilidade de impacto urbano positivo. Levamos para essas regiões o mesmo padrão de projeto, governança e responsabilidade que consolidou o Grupo Impper no interior paulista.
BE – O empreendimento no Automóvel Clube de Rio Preto é um dos mais simbólicos. Como equilibrar inovação e preservação da memória?
Bruno Malvezi – Esse projeto exige sensibilidade. O Automóvel Clube faz parte da memória afetiva da cidade. Nosso papel é revitalizar, não apagar. A proposta é criar um novo uso urbano, preservando elementos históricos e integrando o espaço à dinâmica contemporânea da cidade. É inovação com respeito à identidade urbana e valorização do nosso patrimônio.
BE – Além dos resultados financeiros, o grupo mantém iniciativas de impacto social. Qual a importância disso para você?
Bruno Malvezi – Desenvolver a cidade é assumir responsabilidade social. Nossos projetos impactam mobilidade, comércio, vizinhança e qualidade de vida. Além disso, mantemos iniciativas internas e externas de impacto social, porque acreditamos que empresa saudável precisa gerar valor além do balanço financeiro.
BE – Como sua vida pessoal influencia sua forma de liderar e pensar os empreendimentos?
Bruno Malvezi – Ser pai muda a perspectiva. Você passa a pensar no legado, não apenas no resultado imediato. Eu penso se moraria nos nossos empreendimentos, se minhas filhas viveriam bem ali. Isso eleva o nível de exigência em projeto, segurança, lazer e qualidade urbana.
BE – O mercado imobiliário de Rio Preto vive um momento forte. Esse ritmo é sustentável?
Bruno Malvezi – É sustentável desde que haja critério. Produto certo, localização correta e leitura real de demanda. Em 2025, o mercado local movimentou cerca de R$ 540 milhões apenas no primeiro semestre, e o Grupo Impper teve papel relevante nesse resultado com lançamentos como Legacy, Prime e Line. Crescer é saudável; crescer sem método, não.
BE – Que conselho você daria a jovens empreendedores que querem construir negócios com propósito?
Bruno Malvezi – Evitem atalhos. Construção de valor leva tempo, exige disciplina e escolhas difíceis. Não confundam hype com estratégia. Quem pensa no longo prazo constrói negócios sólidos, equipes fortes e cidades melhores.
