A internet oferece diagnósticos rápidos, soluções simplistas e uma enxurrada de opiniões travestidas de cuidado. Em meio a isso, torna-se essencial voltar ao básico: o que tem base científica e o que, de fato, sustenta a vida emocional no cotidiano. Saúde mental não é truque, nem tendência. É um processo complexo que envolve corpo, história, vínculos e sentido.
Para começar 2026, reuni 10 práticas cientificamente comprovadas para a saúde mental, sempre lembrando: terapia é fundamental, mas não atua sozinha.
1. Regular o sono (não apenas “dormir mais”). O sono regula o eixo HPA, a memória emocional e a resposta ao estresse. Privação ou irregularidade aumentam ansiedade, depressão e impulsividade. Quando o sono falha, as emoções perdem contorno e tudo se torna mais intenso, mais ameaçador, mais difícil de elaborar. Não é preguiça — é neurobiologia.
2. Mover o corpo de forma regular e possível. Exercício aumenta BDNF, serotonina e dopamina. Não é performance, é constância. Caminhadas já produzem efeito antidepressivo mensurável. O corpo parado acumula tensão psíquica.
3. Cuidar do intestino. O eixo intestino-cérebro influencia humor, cognição e inflamação. Disbiose está associada a ansiedade e depressão. O intestino sente antes que a mente compreenda.
4. Reduzir inflamação sistêmica. Estados inflamatórios crônicos alteram neurotransmissores e estão ligados à depressão resistente. Muitas pessoas não estão fracas emocionalmente, estão biologicamente exaustas.
5. Construir vínculos reais e seguros. Isolamento social é fator de risco comparável ao tabagismo. Vínculos regulam o sistema nervoso e protegem contra adoecimento psíquico. O isolamento prolongado distorce a percepção de si e do mundo, gerando estados de ameaça constante.
6. Expor-se à luz natural diariamente. A luz regula o ritmo circadiano, a melatonina e a serotonina. Sem ritmo, o emocional perde previsibilidade.
7. Diminuir uso de álcool e estimulantes. Álcool deprime o SNC e fragmenta o sono. Cafeína em excesso intensifica ansiedade e desregulação emocional.
8. Ter pausas mentais reais, não só distrações. O cérebro precisa de descanso sem estímulo contínuo. Silêncio, contemplação e ócio restauram a função executiva.
9. Dar sentido ao que se faz. Sentido protege contra depressão e burnout. Quando falta sentido, qualquer sofrimento pesa mais. Propósito não elimina a dor, mas a torna habitável.
10. Respeitar limites fisiológicos e emocionais. Ignorar limites sustenta o adoecimento. Autopercepção é marcador de saúde mental, não fraqueza.
Cuidar da saúde mental exige coerência entre corpo, vida e escolhas. A terapia é essencial — e floresce quando o cotidiano também sustenta o que se elabora no consultório.
