Início dos anos 80. Época em que eu fotografava os “bóias-frias”, uma profissão dura, de pés e mãos calejados. Meias velhas e rasgadas serviam de luvas e, de pé no chão batido, os camponeses partiam nas madrugadas frias, de seus pontos de encontro, rumo às roças, nas carrocerias de caminhões, com a comida quentinha em panelinhas penduradas nos embornais.
Na hora da “bóia”, geralmente por volta das 10 da manhã, ela já estava fria, aquecida apenas pela luz do sol, ou gelada à sombra de uma árvore. Mesmo assim, o pessoal era feliz. Piadas, causos e cantorias pela roça eram o combustível dessa gente.
Era um tempo em que nem se sonhava com telefonia celular. O que começava a surgir, ainda de forma caríssima, eram as antenas parabólicas — e isso apenas nas grandes fazendas.
