Diferentemente do fotojornalismo, em que não há tempo para pensar, estudar a cena ou esperar o momento ideal, pois tudo acontece muito rapidamente, na fotografia de paisagem o segredo para obter boas imagens é desacelerar. Vale a pena relaxar, observar atentamente o ambiente, fazer uma breve varredura com os olhos e evitar fotografar compulsivamente por medo de perder algo. Afinal, os cenários não vão fugir. Montanhas, florestas e o mar permanecem ali, convidando à contemplação.
Registrar esses lugares como lembrança ou como um cartão-postal para mostrar a amigos e familiares é sempre válido. Mas que tal ir além e buscar algo diferente?
Às vezes, uma interferência inesperada diante da câmera — uma pessoa passando, uma bicicleta em primeiro plano ou uma ave cruzando o céu contra o sol — pode dar personalidade e impacto à imagem.
Um exemplo disso aconteceu em maio passado, quando visitei o Lavandário, na cidade de Cunha (SP). Havia muito verde, montanhas ao fundo e diferentes tons de azul compondo uma paisagem repleta de cores suaves. Fiz os registros tradicionais para recordação, mas sentia que faltava algo capaz de tornar a cena mais marcante.
Procurei então um novo ponto de vista. Posicionei-me de forma a enquadrar a rampa com o corrimão de madeira, tendo a natureza ao fundo. Relaxei e esperei. De repente, surgiu uma senhora usando um casaco vermelho e fotografando com o celular. Sua presença rompeu a suavidade cromática da paisagem e criou um ponto de interesse que transformou a composição.
Era a cereja do bolo que faltava à fotografia.
