Como abordado no artigo da semana passada, o foco temático dos artigos da coluna neste ano será sobre execução com propósito. O principal objetivo é podermos aprender a manter resultados de alta performance pelo alinhamento do propósito com a execução. O foco não é sobre fazer mais, mas sobretudo de fazer melhor e, assim, termos melhores resultados.
Em vários bate-papos que fiz na Comunidade Reinvente no ano passado, em que focamos o ser humano na liderança, muito se frisou sobre a necessidade de migrarmos o foco do “fazer” para o “ser”. No ambiente corporativo, quando nos apresentamos, quase sempre relacionamos o que fazemos para expressar quem somos. Particularmente, não vejo que o fazer em si seja o maior problema, já que o que fazemos sempre pode revelar muito de quem somos de fato. O problema começa quando o que fazemos não está conectado com o que queremos fazer ou com o que pensamos que deveríamos fazer.
No trabalho de desenvolvimento da cultura inovadora humanizada focamos especialmente no alinhamento do Pensar e do Sentir com o Agir. É algo muito óbvio, pois todos devemos nos lembrar de como as coisas fluem melhor quando conseguimos fazer algo que queremos e que sabemos que é o melhor para nós mesmos. Mas como costumo dizer: gênio é justamente quem faz o óbvio.
Apesar de ser óbvio, o que vemos nos principais treinamentos corporativos é um foco 90% voltado ao fazer. Isso para ser gentil já que na grande maioria dos casos, o único foco do treinamento está no como fazer e ponto. Raramente se discutem as questões filosóficas do porquê vamos fazer algo e menos ainda de como nos sentimos ao fazer algo. E aqui que está uma dica preciosa para quem tenha a necessidade de ampliar o próprio desempenho e resultados em 2026: reflita sobre a conexão entre seu propósito e suas ações.
Quando conseguimos conectar propósito com execução, faremos as mesmas coisas. No entanto, teremos prazer no fazer, estaremos mais atentos às tarefas, nos entregaremos emocionalmente aos desafios e, por consequência, teremos muito mais resultados simplesmente por termos conseguido estarmos inteiros no que estamos fazendo. Apesar de simples, não é algo fácil de conseguirmos no dia-a-dia, pois exige muita disciplina e muita consciência do nosso próprio propósito na vida. E pela minha experiência, mais do que uma grande mudança, o mais importante é uma pequena descoberta que permite que tudo se torne diferente pela simples mudança de perspectiva. Se conseguirmos encontrar o propósito por trás do que fazemos, deixamos de nos sentir obrigados a fazer algo que temos que fazer e nos apropriamos da escolha que fizemos em estar onde estamos para fazer o que precisa ser feito.
No próximo artigo, trarei um exemplo de como fazemos isso, na prática, no nosso dia-a-dia na CCLi. Mas para encerrar o artigo de hoje, compartilho um exemplo marcante do livro Empresas que Curam de Raj Sisodia. Neste livro, ele relata um estudo realizado em hospitais em que se percebeu que praticamente todos tinham um indicador semelhante de mortes por infecção generalizada, mas que havia um deles que se destacava com um indicador muito menor do que os demais. Todos pertenciam a um mesmo sistema de saúde, com recursos e profissionais de gabarito semelhantes. O que o estudo descobriu de diferença foi que ao entrevistar os profissionais da área de limpeza destes hospitais sobre suas atividades, eles responderam que são responsáveis por ajudar a salvar vidas. A gestão deste hospital desenvolveu uma cultura baseada no propósito de salvar vidas de um hospital em que todos são igualmente importantes para o resultado final. Ao entender a importância da limpeza para salvar as vidas dos pacientes, o limpar passa a ter um significado muito diferente para a vida de cada um desses profissionais. O sentimento de poder ajudar a salvar a vida de alguém é o que faz a diferença nos indicadores deste hospital. O ser humano na execução sente. Reconhecer isso nos ajuda a liderar a execução pelo propósito, conseguindo mais resultados.
