Quem acompanha a coluna sabe que neste ano buscarei aprofundar meu aprendizado em fortalecer o pilar de resultados da cultura inovadora humanizada por meio do foco do AGIR com propósito. É incrível o que acontece quando colocamos algo em nosso radar, pois começamos a dar foco no cotidiano sobre o que entrou para o radar. O mais bonito tem sido perceber o quanto pequenos ajustes podem ser poderosos para grandes resultados. Buscar implementar propósito na ação não é antagônico a buscar resultados, pelo contrário, é uma forma consistente e sustentável de incluir na própria cultura a dimensão dos resultados que precisamos atingir em qualquer coisa que façamos na vida para atingir algum propósito específico.
Lembro-me como se fosse hoje da palestra da Adriana Neves no nosso evento de aniversário da CCLi e do Cegente em setembro de 2020 durante a pandemia. Ela já trazia essa clareza de que uma gestão de resultados hoje deveria ser pautada pelo fato de estarmos na Era do “E”, pois por muito tempo imperou a era do “OU” em que ou se tinha qualidade de vida ou se tinha resultados. Mas este modelo se esgotou. E um novo modelo emergente nos convida para a integração de resultados com bem-estar. E um princípio básico para o bem-estar profissional é nos sentirmos úteis no que fazemos e sentir de verdade que o que fazemos é para valer, que cumpre um propósito social para a vida e que nos permite nos sentirmos felizes e realizados por isso.
Infelizmente, ainda percebo o quanto é comum tratar resultados e cuidado humano como forças opostas. Como se fosse preciso escolher entre entregar números ou cuidar de pessoas. Em muitos ambientes organizacionais, falar de execução ainda desperta imagens de cobrança, pressão e controle excessivo. A lógica é simples, porém limitada: foco no agir, no fazer e nas métricas. O problema não está nos indicadores, pois eles são fundamentais para nos sinalizar o que nosso agir está dando conta de nos entregar. A grande cilada aqui é acredita que gerir indicadores por si só fará com que se tenha o desempenho esperado. Essa mentalidade até consegue produzir resultados de curto prazo, mas cobra um preço alto no longo prazo: desgaste emocional, perda de sentido e relações fragilizadas. Já falamos sobre isso antes aqui.
Vivi uma experiência há alguns meses que foi muito impactante para mim. Diante de um desafio relevante para atingir uma das nossas principais metas, a tentação inicial era intensificar o controle e acelerar o ritmo, pois a meta estava praticamente garantida. No entanto, ao me permitir pausar para entender melhor a raíz do problema, percebi que era preciso reconectar a equipe com o propósito do que estava sendo feito. E algo mudou. As conversas se tornaram ainda mais honestas, o engajamento que já era enorme se potencializou ainda mais e as pessoas passaram a assumir responsabilidade genuína pelo resultado. Essa preocupação em liderar para buscar a meta e, ao mesmo tempo garantir espaço para ouvir o emocional de todos da equipe nos permitiram bater metas ainda mais ousadas, algumas que nunca imaginaríamos antes deste fato que até mesmo fossem viáveis.
Liderar pelo E significa sustentar, ao mesmo tempo, resultado e cuidado, processo e pessoas, desempenho e pertencimento. Um exemplo simples: reuniões de acompanhamento que não se limitam a cobrar números, mas que abrem espaço para compreender obstáculos reais, escutar o time e ajustar processos. Esse tipo de liderança não diminui a exigência; ao contrário, qualifica a ação, porque atua nas causas e não apenas nos sintomas.
Ao longo deste ano, seguiremos aprofundando nosso agir com propósito. Se quisermos resultados extraordinários e sustentáveis, precisamos integrar o humano ao processo, e não tratá-lo como uma peça em uma engrenagem como comumente se fala. Espero que ao longo do ano consiga fortalecer ainda mais uma liderança capaz de unir desempenho e cuidado, eficiência e sentido. Porque, no fim, não se trata de escolher entre pessoas ou resultados, mas de compreender que um não se sustenta sem o outro.
