Temos discutido ao longo dos artigos deste ano o desafio de mantermos a conexão entre o nosso agir no dia a dia, seja em um papel de liderança seja executando tarefas operacionais, e o propósito que servimos. O agir com propósito tem o poder de simplificar muitas coisas e de nos permitir termos resultados melhores. Eu não diria que seria sem esforço, pois não acredito em resultados sem que haja esforço para isso, mas sim com o mínimo esforço necessário para que os resultados aconteçam justamente pela clareza que o propósito nos dá para a alocação da nossa atenção e do nosso esforço na vida.
No mundo corporativo, nos acostumamos a associar alta performance sempre com mais esforço. Mas o que vemos na prática é que as equipes de alta performance têm um equilíbrio melhor entre várias dimensões da vida, dormem bem, se alimentam bem, cuidam de si mesmas e, consequentemente, trabalham bem também. E aqui que entra o poder do foco para empenharmos todos os nossos esforços para aquilo que realmente importa para que nosso propósito se fortaleça e que nosso trabalho cumpra seu papel.
Em um encontro recente da comunidade Reinvente, recebi a especialista em performance comercial Bianca Juliano, que é autora do livro que dá título a este artigo. Bianca traz clareza de que a alta performance não depende apenas de intensidade, mas sobretudo de estrutura. Como ela mesmo compartilhou conosco, muitas pessoas têm clareza sobre seus sonhos, seus objetivos e até mesmo sobre seu propósito, mas, mesmo assim, permanecem travadas. Isso não acontece necessariamente por falta de vontade, mas pela falta de um caminho estruturado que conecte a intenção com a ação.
É por isso que um dos pilares estruturantes em uma cultura inovadora humanizada que tem o propósito como norte de orientação para o agir de toda uma equipe é o pilar processos. Os processos se desdobram em procedimentos que nos dão uma estrutura clara para agir que conecta o que fazer, como fazer e porquê fazer o que precisamos para ter os resultados que buscamos. Quando não seguimos o método de trabalho e temos aderência aos processos estabelecidos, a execução se transforma em desgaste pois os resultados ficam aquém do que poderiam ser, gerando retrabalho e mais tarefas apenas.
O conceito de “mínimo esforço” que Bianca compartilhou conosco nasce exatamente dessa necessidade de direcionamento do que fazer para podermos fazer melhor e com mais clareza o que realmente importa. O “mínimo esforço” seria essa capacidade de canalizar energia para as ações que, de fato, fazem os resultados acontecer. E cito uma frase que ela falou que me chamou muito a atenção: “não é sobre fazer tudo, mas sim, sobre fazer o que muda tudo”.
O grande poder da Bianca na estruturação do método “O Mínimo Esforço” é justamente o fato de ter sido um método desenvolvido na prática quando atuava no início da XP em Porto Alegre para bater suas próprias metas e conseguir a segurança financeira que ela precisava. Ela percebeu que não teria como controlar os resultados, mas poderia controlar as etapas que ajudavam a levar aos resultados que queria. E começou a monitorar quantas pessoas teria que impactar para conseguir as oportunidades necessárias para as metas diária, semanal e mensalmente.
No fim das contas, o mínimo esforço é, na verdade, o esforço certo. É a escolha consciente do agir com propósito para ter os resultados esperados como consequência. É agir mesmo quando não se tem tanta vontade por saber da importância daquela ação para o que buscamos de verdade na vida. Que todos possamos nos inspirar e cultivar essa disciplina de executar, todos os dias, aquilo que realmente importa.
