Quando falamos em agir com propósito, estamos falando de buscar a coerência entre tudo o que fazemos com a missão que buscamos exercer na vida, alicerçados pelos nossos valores inegociáveis. Essa força nos ajuda a construir relações verdadeiras e saudáveis. E, como discutimos no artigo anterior, ajuda-nos a criar a nossa marca, seja organizacional, seja pessoal. E nosso capital social vai sendo construído ou dilapidado ao longo do tempo, de acordo com a força que temos para impulsionar nossa marca, mantendo a coerência no nosso agir com o nosso propósito.
Para discutir esse tema do capital social em risco, recebi o especialista William Freitas na Comunidade Reinvente. William começou com uma frase que vale a pena destacar aqui: "a economia atual não opera mais sobre o que você sabe, nem sobre quem você conhece. Ela opera sobre quem confia em você.” É uma virada de perspectiva simples na forma, mas profunda nas implicações, pois a maioria de nós foi treinada a acumular contatos, conexões, seguidores, etc. E muito facilmente se confunde esse volume com influência real. Confundimos a extensão da nossa rede com a profundidade do nosso capital social. E essa confusão, como William deixou claro, não é apenas um erro estratégico. É um risco silencioso.
Um dos maiores aprendizados que essa jornada de discussões sobre o lema “Agir com Propósito” tem me trazido é que o propósito não opera apenas no que fazemos, mas em como nos relacionamos. O networking transacional (aquele focado no próximo negócio, na troca imediata, na conexão que serve apenas enquanto serve) é o oposto de uma relação intencional. E relação sem intenção genuína não gera capital social algum, pois não fortalece vínculos nem constrói terreno para trocas verdadeiras e aprendizados conjuntos.
William apresentou os três pilares do que chamou de Engenharia Relacional: 1) Reputação, que é a narrativa que opera no mercado quando você não está na sala; 2) Reciprocidade, que é a disposição de gerar valor antes de capturar valor; e 3) Confiança, que é a previsibilidade de competência e integridade construída ao longo do tempo. Três pilares que, não por acaso, ressoam profundamente com o que temos construído na CCLi como cultura inovadora humanizada. Porque uma cultura assim só se sustenta quando as relações dentro e fora dela são arquitetadas sobre esses mesmos alicerces. E, com base nesses pilares, utilizando a cultura inovadora humanizada como estratégia de expansão, atendemos hoje empresas em 12 países diferentes sem uma única ação de publicidade ou propaganda. Todas essas oportunidades foram geradas por consequência de um capital social acumulado e de uma conexão genuína de longa data com vários profissionais que contribuíram para que essas novas oportunidades pudessem existir.
Que possamos agir com propósito também nos nossos relacionamentos. Que cada conexão que estabelecemos, cada indicação que fazemos, cada apresentação que facilitamos seja feita com a pergunta certa: qual o valor real que estou gerando aqui? E não apenas para mim. Para o outro. Para a rede. Para o ecossistema que escolhemos construir. E fecho com outra frase que o William compartilhou e que merece destaque: “O arquiteto de capital social não busca a rede. A rede orbita o arquiteto.”
