Um dos principais desafios que temos hoje é conseguimos estar inteiros no que fazemos já que nossa mente costuma estar em vários lugares diferentes ao mesmo tempo. Os estudiosos de atenção plena descobriram que quando fazemos o que sentimos satisfação entramos em um estado de fluxo intenso em que nossa concentração aumenta e nossa entrega ao momento se intensifica. Geralmente nesses momentos conseguimos ser mais produtivos e nos sentimos mais leves e satisfeitos com o que fazemos.
No artigo da semana passada, abordei a importância de conectarmos o pensar e o sentir com o agir para termos um desempenho melhor no que fazemos. Também chamei a atenção para o fato de muitos líderes desenvolverem tecnicamente suas equipes com treinamentos sobre as tarefas a serem executadas, mas raramente desenvolverem as dimensões do pensar e do sentir. Confesso que realmente não é uma tarefa fácil e passamos muitos e muitos anos errando e consertando para aprendermos como fazer um programa de desenvolvimento corporativo que desse conta de incluir essas três dimensões. Todo esse aprendizado nos ajudou a fazer nascer nosso Mapa de Navegação da Equipe há praticamente uma década.
Na nossa cultura, usamos a metáfora da navegação para o nosso desenvolvimento. Acreditamos que aprender é um navegar contínuo rumo aos nossos objetivos. O norte desta navegação é o propósito maior da organização. É ele que nos guia e nos orienta neste desafio de aprendermos e nos transformarmos nos processo de nos aperfeiçoarmos continuamente para a entrega dos resultados. E o mapa de navegação é a ferramenta que ajuda a liderança a ter contexto para liderar o desenvolvimento da sua equipe pelo propósito.
O primeiro grande passo para que a ferramenta seja útil, é ter clareza do norte, ou seja, clareza de propósito. Por conta da aceleração dos dias atuais e do imediatismo das tarefas, raramente há tempo disponível para construir essa clareza. Mas vale sempre lembrar de que para quem não sabe para onde quer ir, qualquer caminho serve. E geralmente é justamente esta falta de clareza que faz com que as equipes fiquem perdidas, frustradas e com baixo desempenho.
Uma vez construída a clareza do propósito, temos a bússola que nos orienta. E cada integrante da nossa equipe tem o seu mapa de navegação e a sua bússola de orientação. O mapa traduz o propósito para cada área, para seus desafios específicos, estabelecendo as competências essenciais da cultura e desdobrando-as nas dimensões do pensar, do sentir e do agir. A bússola é um instrumento individual de norte para o desenvolvimento de cada colaborador. Basicamente funciona assim: sabendo para onde estamos indo e ciente dos desafios do meu cargo, com base no que conheço sobre mim, quais desafios de desenvolvimento escolho incluir na minha navegação para alcançar meus resultados?
Esta pergunta ajuda a conectar o desenvolvimento individual ao propósito coletivo. E a estrutura do mapa e da bússola de navegação dá apoio para que as reuniões individuais mensais de navegação com a liderança sejam direcionadas ao que mais importa a cada membro da equipe e não sejam conversas aleatórias. A estrutura ajuda a transformar o que seriam muitas vezes conversas difíceis em conversas poderosas, como já escrevi anteriormente em outro artigo. Pela nossa experiência, todo profissional quer crescer. Todo profissional quer ser melhor do que era quando começou. Mas para isso ser verdade, todo profissional precisa de apoio para o seu desenvolvimento. E é aqui que muitos líderes pecam. É importante que as lideranças comecem a perceber a responsabilidade de tornar o propósito da organização realidade no dia-a-dia e desenvolver suas equipes à luz do propósito para que tenham engajamento e resultados sejam consistentes.
Daniel Rodrigues
Fundador da CCLi Consultoria Linguística, Empreendedor, Mentor e Palestrante daniel.rodrigues@cclinet.com.br
