Acredito que uma liderança de alta performance acontece quando lideramos com propósito. O maior desafio, portanto, não está nos desafios de mercado nem nos desafios com a equipe como comumente costumamos achar, mas justamente no autoconhecimento. Falamos sobre esse tema em muitos artigos anteriores, mas é fundamental termos clareza do nosso propósito como líderes primeiro para podermos chegar a uma liderança de alta performance.
Para aprofundar a discussão deste tema, recebi para um bate-papo o professor Douglas de Matteo, especializado no assunto. Para início de conversa, Douglas retoma o conceito de liderança que é a “capacidade de comunicar e influenciar pessoas para atingir determinado objetivo”. Quanto mais clareza de propósito, mais potente será sua comunicação com a equipe e maior a sua capacidade de influenciar a todos para as mudanças de comportamento necessárias para o fortalecimento da cultura e, consequentemente, para resultados de alta performance.
Quando agimos com propósito, conectamos o porquê do que fazemos o que fazemos a tudo, o tempo todo, gerando consistência e facilitando a clareza de execução de toda a equipe. O Círculo Dourado, proposto por Simon Sinek, nos remete a colocar o porquê no centro para uma estratégia orientada pelo propósito da organização. Esse investimento em autoconhecimento e clareza do porquê muitas vezes é considerado perda de tempo já que todos consideramos que nos conhecemos bem. No entanto, é inegável que a cada nova fase do nosso próprio liderar há sempre espaço para aprofundarmos o conhecimento sobre nós mesmos e ampliarmos a performance da nossa liderança por meio deste processo.
Douglas menciona a importância de cuidarmos da nossa mentalidade como líderes. É pelo autoconhecimento que vamos aprimorando nossa capacidade de lidar com o nosso cérebro e nossas emoções. Muitas vezes reagimos ao que sentimos e acabamos nos atrapalhando neste processo já que nem sempre o que sentimos está diretamente conectado ao fato em si. Separar o que acontece do que sentimos pelo que acontece é um desafio que exige muito do líder. Mas como referência para a equipe e exemplo a ser seguido, é sempre importante que o líder esteja cada vez mais preparado para lidar com essas questões para ter mais impacto no seu dia a dia já que sua capacidade de se comunicar e de influenciar seus liderados passa necessariamente por esta capacidade de liderar sua própria mente e suas emoções.
Por fim, vale a pena explorar um conceito importante apresentado por Douglas no bate-papo “o mapa não é o território”. Cada pessoa enxerga a realidade a partir de seu próprio mapa mental. Liderar não é impor o nosso próprio mapa ao outro, mas ter a capacidade de compreender o mapa do outro, para conseguir influenciar na percepção do território pelo outro para que se possam construir caminhos comuns. Assim, o líder que amplia seus mapas internos tanto técnicos quanto emocionais e relacionais também amplia a sua capacidade de gerar impacto nos resultados por meio da sua liderança.
Parece simples, mas é um grande desafio conseguirmos ampliar nossa performance ao longo da nossa carreira como líderes. Quanto mais aprofundamos nossa conexão com o propósito e quanto mais coerentes conseguimos ser neste agir com propósito, maior o desempenho que poderemos ter como líderes. E este é um desafio constante que nos convida a estarmos nos desenvolvendo continuamente para darmos conta de lidar com as mudanças de contextos, atualizando nossos mapas mentais e sendo mais efetivos como líderes.
