O lema “Agir com Propósito” que compartilhei aqui com vocês, nos dá a oportunidade para olhar para vários aspectos do nosso dia-a-dia na liderança e encontrar oportunidades de melhorarmos pontos simples, mas que podem gerar grande impacto para termos toda uma equipe agindo com mais propósito e alcançando melhores resultados. E na volta dos encontros da comunidade Reinvente, recebi Roberta Perdomo para um bate-papo sobre um dos maiores paradoxos que os líderes enfrentam: queremos resultados melhores, mas seguimos evitando as conversas que realmente sustentam a ação com propósito. Quer porque não temos tempo para isso, quer porque não nos sentimos verdadeiramente preparados para que essas conversas possam ter o impacto que gostaríamos de verdade.
Em muitos ambientes, o feedback ainda é visto como confronto, julgamento ou ameaça à relação, e, como consequência, acabamos tendo uma liderança que cobra resultados, mas evita diálogos sobre os desafios para entregar estes resultados. Acabamos tendo uma liderança que leva o foco para as tarefas, mas não desenvolve as pessoas para entenderem o propósito por trás das tarefas e sua conexão com os resultados que buscamos.
Neste encontro, Roberta Perdomo compartilhou uma visão muito interessante: feedback não é a verdade, é uma perspectiva. Ou seja, fato é o fato, mas o feedback em si é a conversa que construímos a partir da nossa interpretação desse fato. Essa distinção simples muda completamente o papel do feedback na liderança. Ele deixa de ser uma determinação imposta pela liderança e passa a ser um espaço de diálogo, aprendizagem e alinhamento com o propósito da organização.
Quando falamos de agir com propósito, o feedback ocupa um papel central. Executar não é apenas garantir que algo seja feito, mas assegurar que as ações estejam conectadas à intenção correta. É aqui que a liderança amadurece: ao invés de usar o feedback para corrigir ou punir, passa a utilizá-lo como instrumento de clareza, desenvolvimento e coerência. O líder deixa de ser controlador da tarefa e assume o papel de guardião do propósito no dia a dia. Na nossa cultura inovadora humanizada, o artefato do mapa de navegação nos ajuda muito a termos instrumentos para conversas sempre poderosas nos rituais de feedback, que, aqui, são as reuniões de navegação e que acontecem mensalmente com todos da equipe.
Na prática, buscamos reforçar, com isso, o pilar ambiente na sua dimensão de segurança psicológica, onde as pessoas possam errar, falar, perguntar e escutar sem medo. Vejo como uma evolução na cultura corporativa já que na nossa própria cultura o mais comum é evitarmos dizer a verdade com medo de desgastar a relação. Na minha experiência percebo que as pessoas preferem quando ouvem a verdade e que a forma como lidamos com o feedback é o verdadeiro diferencial, pois em vez de buscar culpados e chorar sobre o leite derramado, devemos aprender com o problema e buscar formas de evitar que se repita. E, na maioria das vezes, é justamente o que todos querem na prática.
E para fechar o artigo de hoje, ressalto um outro ponto importante discutido no encontro que é darmos feedbacks com orientação para o futuro. Como a Roberta recomendou: em vez de ficarmos presos ao “por que você fez isso?”, avançarmos para o “o que podemos fazer diferente da próxima vez?”. Essa mudança sutil de pergunta desloca o foco da culpa para a aprendizagem. Agir com propósito é transformar erros em inteligência coletiva. É assim que melhoramos os processos, fortalecemos as relações e atingimos resultados de forma mais consistente.
Todos damos feedbacks o tempo todo! Entender que uma simples conversa pode ter um grande impacto na vida das pessoas que lideramos é o que transforma cada conversa e dá a verdadeira importância aos momentos de feedback. E como não nascemos sabendo, podemos sempre escolher aprender a conversar melhor. Por mais simples que pareça, são inúmeros os desafios. E quanto melhor nossa comunicação, melhor o impacto na execução com propósito e nos resultados da equipe.
