A pergunta que dá título ao artigo de hoje foi uma provocação do Marcos Batista em um dos encontros da Comunidade Reinvente! O convite era para trazer um tema que nos ajudasse a aprofundar a liderança com propósito. E acabou sendo uma reflexão ainda mais profunda sobre o próprio propósito da inovação no nosso cotidiano. Para quem não o conhece, Marcos é um dos pioneiros em inovação humanizada no Brasil, TEDx Speaker, autor, conselheiro e professor de MBA. Não temos uma resposta fácil para essa pergunta, e ela nos exige um olhar para dentro e uma forte conexão com nossa essência, com nosso propósito de existir. E isso tanto em nível pessoal quanto em nível da cultura organizacional também.
Tenho repetido bastante aqui a questão do contexto social atual, pois é pelo contexto que interpretamos os problemas e buscamos criar soluções. Do ponto de vista humano, muitos problemas seguem antigos, pois já existem há milênios, como a questão do conflito de gerações, que foi abordada no último artigo. Mas, sem dúvidas, vivemos em um tempo em que a aceleração tecnológica influencia cada vez mais as mudanças de comportamentos. Um exemplo destacado é que a tecnologia criou uma ilusão de presença que, na prática, é ausência, pois, apesar de cada vez mais conectados, temos cada vez menos relações de intimidade e proximidade. Mais conexões, mais vulnerabilidade. Mais possibilidades, mais angústia. A cada avanço que resolve um problema externo, criamos um novo problema interno. E é esse lado do impacto no ser humano que Marcos veio nos convidar a olhar.
Temos falado ao longo deste ano sobre o Agir com Propósito. E Marcos trouxe uma dimensão que raramente aparece nas conversas sobre inovação: a dimensão espiritual. Não no sentido religioso, mas no sentido mais amplo. O que sobrou do ser humano depois de tanto avanço? Quais foram os impactos que a tecnologia deixou no nosso comportamento, nas nossas emoções, na nossa capacidade de estar presentes? A resposta não está em mais um framework, mais uma metodologia, mais uma fórmula, mas no despertar desta consciência e na retomada do amor como princípio organizador da inovação e da liderança.
Muitas vezes, a aceleração em buscarmos atender a todas as novas demandas que surgem e nos mantermos constantemente atualizados de tudo o que está sendo construído de novo nos faz desconectar do nosso próprio propósito na vida. O agir com propósito nos convida a olharmos sempre para dentro, a nos fortalecermos interiormente, para que possamos lidar com todas essas mudanças pelas quais estamos passando com consciência de como queremos agir a partir do nosso propósito, para que não nos percamos dentre tantas mudanças seguidas.
Que possamos agir com propósito também no modo como inovamos. Que tenhamos a coragem de perguntar, antes de qualquer projeto ou decisão: o que isso faz com o ser humano? Não apenas com o resultado, com o processo, com a eficiência, mas com o ser humano mesmo. Porque, como bem fechou nosso encontro, o futuro que queremos construir não será determinado simplesmente pela tecnologia que escolhermos, mas sim pelo nível de consciência com que escolhermos usá-la. E essa consciência começa, sempre, por dentro. Que possamos valorizar não só a tecnologia e seus avanços, mas valorizar também o ser humano, que pensa, que sente e que age, nesse processo de inovação.
