Um dos principais temas que tenho trabalhado atualmente, e que tem se desdobrado em vários dos artigos aqui da coluna, é o da liderança inovadora humanizada. Precisamos inovar porque precisamos atingir metas e garantir os resultados. E não conseguimos mais ter resultados consistentes sem que tenhamos uma cultura de inovação, mesmo que o foco seja apenas na inovação incremental. E sabemos que o líder é quem estimula ou limita a inovação no ambiente que lidera. Mas nem sempre há esta consciência nos líderes que, muitas vezes, criticam a falta de atitudes que contribuam para a inovação em sua equipe sem refletir sobre o que pode estar de fato gerando um ambiente sem a capacidade de inovar. Aqui a autoconsciência do seu papel e dos seus comportamentos para exercer este papel é essencial para conseguir gerar o impacto coletivo desejado.
Tenho batido muito nessa tecla. E quanto mais me aprofundo, quanto mais desafios enfrento na minha própria liderança e quanto mais ajudo outros líderes a enfrentarem problemas semelhantes, mais percebo o quanto é realmente um processo-chave para a desejada transformação da cultura na empresa. Isso acontece porque geralmente falar de inovação muitas vezes se restringe a falar de novas tecnologias, tendências ou metodologias ágeis. Mas toda essa minha experiência tem mostrado que a verdadeira transformação realmente começa dentro de cada pessoa. E é por isso que quando os líderes e suas equipes desenvolvem autoconsciência, ganham um entendimento maior dos seus próprios padrões, lhes permitindo fortalecerem sua própria cultura. E uma cultura forte e valorizada é um terreno fértil para que a inovação possa existir para gerar o esperado impacto na sustentabilidade do negócio.
A grande importância dos líderes entenderem sua responsabilidade na transformação da cultura de inovação é justamente porque a própria consciência de si mesmo não é um processo isolado, mas uma prática que se reflete nas relações, nos resultados e na forma como construímos coletivamente. Esse ponto é essencial para entendermos porque sem esse ambiente que nos permita lidar com os problemas de forma franca, sem pessoalização ou aprisionamento do próprio ego, ficamos menos potentes até mesmo para desenvolvermos nossa própria autoconsciência. Nós seres humanos somos seres sociais e, portanto, nos desenvolvemos também pelas relações que estabelecemos e que tem o poder de nos edificar e potencializar nosso próprio impacto no mundo. E gosto sempre de ressaltar que o autoconhecimento não é algo novo. É uma prática milenar de treinamento e desenvolvimento de lideranças. A filosofia antiga está repleta de discussões que destacam a importância da autoconsciência para uma vida melhor, para uma vida de sucesso. Talvez vejamos algumas mudanças no que se considera como melhor ou sucesso ao longo dos milênios, mas, ainda assim, considero-as muito pequenas frente a tantas transformações que a humanidade já teve nesse tempo todo. As respostas para muitos dos dilemas humanos de antes também continuam válidas nos dias de hoje. E isso acontece porque quando falamos de seres humanos, sabemos que dentro de nós nem tudo muda tanto assim e o que é essencial, até mesmo do ponto de vista antropológico, continua sendo essencial hoje.
Talvez o barulho e a correria dos tempos modernos apenas nos faça não termos tempo para pararmos e pensar sobre isso. E é justamente por isso que a autoconsciência da liderança pode gerar um grande impacto coletivo porque muitas vezes os problemas mais importantes da nossa liderança são problemas que nem sempre se resolvem pela superfície, mas sim pela profundidade da conexão com o propósito da nossa cultura para que ela possa evoluir e lidar com os próprios problemas. Transformar a liderança de uma empresa também é uma estratégia de inovação. Aliás, uma das mais eficazes sempre.
Daniel Rodrigues
Fundador da CCLi Consultoria Linguística, Empreendedor, Mentor e Palestrante
