Eu diria que a consistência é o elo invisível entre propósito e resultados de longo prazo! E manter a consistência se torna cada vez mais difícil já que estamos sofrendo mais e mais pressão por metas rápidas e entregas imediatas que acabam focando apenas os resultados de curto prazo. Acaba ficando comum abrirmos mão da nossa própria consistência para dar conta de acomodar as demandas inesperadas que surgem por conta de tanta volatilidade no ambiente hoje. Mas lá no fundo sabemos que resultados sustentáveis não nascem de picos de performance. Sabemos que eles são construídos na repetição coerente do nosso agir com propósito ao longo do tempo. Em outras palavras, consistência não é sobre fazer muito de vez em quando, mas sobre fazer o que precisa ser feito, todos os dias, com propósito. É o que eu costumamos chamar de “arroz com feijão bem feito”.
Com base na minha própria experiência lidando com nossos desafios do crescimento nesses últimos anos e nas conversas com diversos especialistas nos encontros da comunidade Reinvente, tenho tido cada vez mais clareza de que o maior desafio da liderança hoje não é saber o que fazer, mas sustentar o fazer ao longo do tempo com consistência. O maior problema acaba não sendo falta de ideias ou de uma estratégia bem definida, mas sim a capacidade de executar com propósito mantendo a coerência entre o que se diz, o que se decide e o que se pratica diariamente.
Eu talvez ainda tenha mais perguntas do que respostas para conseguir superar de fato esse desafio de uma execução com propósito plena na organização, mas percebo que a busca pela coerência e pela consistência diária é o melhor exemplo que o líder pode dar para levar toda sua equipe para esse mesmo lugar. Quando damos conta de manter nossa própria consistência no que falamos, reforçamos e orientamos, construímos confiança. E confiança é um dos elementos mais importantes para a alta performance e para os resultados sustentáveis.
Na prática, a consistência também está diretamente ligada à forma como estruturamos a execução. Processos claros, rituais bem definidos e uma cadência de acompanhamento ajudam a transformar o agir de toda uma equipe em um agir com propósito. E cada vez mais vejo a importância de estabelecermos limites claros para essa execução e de termos processos para lidar com as contingências de forma imediata.
E nesta visão de uma cultura inovadora humanizada, outro ponto fundamental é o papel do propósito como norte desta consistência. Em cenários de incerteza, é o propósito que ajuda a manter o foco e orientar decisões. É ele que deve orientar os processos e procedimentos para que não fiquemos apenas executando a tarefa pela tarefa.
Por fim, é importante lembrar que consistência também é um exercício de disciplina emocional. Manter a consistência de propósito e resultados ao longo do tempo exige resiliência para lidar com oscilações, maturidade emocional para não nos deixarmos levar por impulsos e consciência para escolher os melhores caminhos. É na consistência da integração entre o pensar, o sentir e o agir com propósito que garantimos os resultados que queremos com sustentabilidade. No fim das contas, sabemos que não são as grandes ações isoladas que definem o nosso sucesso. O sucesso de verdade é sempre a soma de muitas pequenas entregas consistentes ao longo do tempo. E quando essa consistência está conectada com o agir com o propósito, certamente os resultados virão em consequência da própria consistência da entrega do propósito de existir da empresa para o mundo.
