Freida McFadden (1980-) é o pseudônimo de uma médica norte-americana especializada em lesões cerebrais. Autora de mais de 20 livros – suspenses psicológicos e romances médicos –, McFadden tem frequentado a lista dos mais vendidos do “The New York Times” e da “Amazon”.
Médica atuante, Federica Esposito tenta manter separadas suas duas atividades profissionais. “A empregada” (2022), recentemente adaptado para o cinema, vendeu mais de dois milhões de cópias. Os números da escritora/neurologista são impressionantes. Com o filme em cartaz, resolvi conferir o livro.
“A empregada” é um thriller a que o mercado editorial costuma se referir como “suspense doméstico”, ou seja, traz uma trama que se concentra em segredos sombrios ocultos em um ambiente familiar.
Millie Calloway é uma ex-presidiária em liberdade condicional que consegue trabalho como empregada doméstica na casa de uma família muito rica. Trata-se de Nina e Andrew Winchester e da filha Cecelia.
Surpresa em conseguir o emprego, visto que uma rápida checagem de antecedentes poderia ter eliminado suas chances, Millie passa a morar no sótão da mansão. Dedica seus dias aos caprichos de Cecelia e às constantes e absurdas exigências de Nina que, ela descobrirá, tem sérios problemas psiquiátricos.
Andrew Winchester é um homem aparentemente equilibrado que transita entre os compromissos profissionais e as singularidades domésticas. É bonito, inteligente e despertará as fantasias da empregada.
A narração é em primeira pessoa e oscila entre Millie e Nina. É por meio do olhar delas que observamos os outros e tomamos conhecimento da história que, como costuma ocorrer em romances do gênero, terá viravoltas e proporcionará ao leitor mudanças de percepções.
A capacidade imaginativa de McFadden é enorme. A leitura da história, por sua vez, implica a adesão do leitor a detalhes (a mim) nem sempre convincentes. Com capítulos curtos que sempre deixam um gancho para o seguinte, linguagem simples e direta, o romance tem leitura fluida e rápida e nos leva a querer sempre mais.
“A empregada” não explora os meandros da mente humana, traço característico dos grandes suspenses psicológicos. Aliás, nem tem esse objetivo. Paranoias, perspectivas enviesadas, motivações psicológicas, distorções morais não são o foco do romance, que se apoia mais na ação, do que na construção do desconforto típico das narrativas do gênero. Dentro de seu contexto há, inclusive, espaço para um final “justo”, permitindo aos leitores respirarem em paz.
Li as 300 páginas em dois dias, me diverti com a leitura, mas não lerei “O segredo da empregada” e “A empregada está de olho”, os outros dois da trilogia escrita por McFadden. Destaco, porém, que, dentro do que o romance se propõe, ele é bem-sucedido e pode ser um bom entretenimento para quem busca uma leitura mais descompromissada.
Adriana Teles
Pós-doutora em literatura pela USP. Escritora e autora de diversos livros, dentre eles, Machado e Shakespeare, Intertextualidades (2017), Íris Negra e Dez Minutos no Museu (2023) @adriana_da_costa_teles
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