“A Importância de Ser Prudente” (1895) é a obra-prima teatral do escritor irlandês Oscar Wilde (1854-1900). Descrita pelo próprio autor como "uma comédia trivial para pessoas sérias", ela é considerada o ápice da dramaturgia satírica vitoriana e é famosa pelos diálogos dinâmicos, pelas tiradas espirituosas e pela farsa engenhosa.
A tradução do título faz perder o jogo de palavras que há no inglês. O original, “The Importance of Being Earnest”, carrega um duplo sentido intraduzível. “Earnest” significa “sério, sincero, honesto” e tem a mesma pronúncia do nome próprio Ernest.
A trama gira em torno da obsessão da alta sociedade da época por aparências e retidão moral. A comédia faz com que o nome “Earnest/Ernest” seja associado à virtude e à confiabilidade, ainda que os personagens que o adotam sejam cínicos ou farsantes.
O foco recai sobre dois jovens da alta sociedade britânica que criam identidades falsas para escapar das obrigações e restrições da moralidade vitoriana.
John Worthing vive no campo e é o tutor da jovem Cecily Cardew. Porém, para fugir do decoro daquela vida e se divertir em Londres, ele inventa um irmão irresponsável chamado Ernest, que viveria na cidade e sempre precisaria de ajuda.
Algernon Moncrieff é um dândi espirituoso que mora em Londres. Para escapar de jantares entediantes com sua tia, Lady Bracknell, ele inventa um amigo inválido chamado Bunbury, que vive no campo e cuja saúde frágil exigiria visitas constantes.
A questão é que Algernon descobre o segredo de John e vai à sua propriedade rural fingindo ser seu irmão problemático, Ernest. O caos se instala quando as complicações amorosas entram em cena.
Algernon se apaixona por Cecily assim que a vê. Esta, por sua vez, nutre uma fixação romântica por Ernest, a quem imagina levar uma vida de aventuras em Londres. Gwendolen, prima de Algernon, também chega inesperadamente na casa de campo.
John é apaixonado por ela e a tinha pedido em casamento dias antes, em Londres. Ela aceitara o pedido dizendo-se obcecada pela sonoridade e pelo significado moral de seu nome “Ernest”.
A peça é repleta de reviravoltas e situações hilárias. Wilde usa o humor para escancarar o vazio moral e a frivolidade da aristocracia britânica. A severidade social vira piada e a superficialidade se transforma em arte.
Wilde – que, por meio de sua obra, imortalizou a máxima “a verdade raramente é pura e nunca é simples” – cria situações que beiram o teatro do absurdo, antecipando técnicas que só ganhariam força no século XX.
“A Importância de Ser Prudente” é hoje considerada uma das comédias mais encenadas e espirituosas da história do teatro e tem várias adaptações cinematográficas – entre elas a notável versão de 2002, dirigida por Oliver Parker. É um texto divertidíssimo e merece ser lido!
A IMPORTÂNCIA DE SER PRUDENTE
OSCAR Wilde
Editora: L&PM (2014)
Páginas: 104
Preço: R$ 29
