Desastres naturais como inundações e o aumento das temperaturas estão ameaçando as cidades, onde estão os maiores assentamentos humanos, e à medida que o mundo luta contra os efeitos das mudanças climáticas, a arquitetura e o urbanismo tornam-se imprescindíveis na criação de estratégias que minimizem os danos. A recorrência de eventos trágicos e cada vez mais graves demonstra a urgência de medidas preventivas e de mitigação, além da criação de procedimentos para intervenção de emergência. O aquecimento global modifica os padrões climáticos provocando o aumento do nível do mar, bem como tempestades e ventos cada vez mais fortes e intensos. Muitas cidades enfrentam um risco maior de inundações e devastação pela proximidade da água, ameaçando a integridade dos edifícios, das redes de energia e água e podendo provocar grandes deslocamentos humanos. Há um desequilíbrio no sistema climático planetário que caminha para o ponto de não retorno e por esse motivo é urgente a implementação de planos e medidas para enfrentamento e prevenção para reduzir danos e salvar vidas.
A relação das cidades da água, como um perigo, deve ser superada para incorporá-la ao ecossistema da cidade, com um novo sistema de drenagem eficiente e adaptado às novas condições pluviométricas, a reintrodução de áreas pântanosas e paisagens aquáticas naturais, descanalização ou renaturalização dos rios, pavimentação permeável e o redirecionamento para que se infiltre naturalmente no solo e alcance os aquíferos subterrâneos naturais evitando inundações.
Em janeiro deste ano houve, simultaneamente, clima muito frio e calor extremo, ambos decorrentes do desajuste ocasionado pelo excesso de CO2 na atmosfera. A resiliência e a adaptação a extremos cada vez mais recorrentes são fundamentais para preparar a sociedade para o aumento dos riscos climáticos no futuro e o poder público é o responsável pela implementação de ações de enfrentamento das condições climáticas e deve ser cobrado para efetivá-las urgentemente evitando mortes e prejuízos.
