Em períodos de crise e incerteza, como os que vivenciamos atualmente, emergem impulsos de resposta dupla: a busca por simplicidade e segurança, mas também por ambientes expressivos, capazes de gerar emoção. Diante desse cenário, percebe-se um aumento nas referências nostálgicas e no chamado “reset sensorial”, ou seja, a busca por espaços que despertam sensações por meio de texturas e materiais naturais na decoração, com o objetivo de estimular os sentidos e nos reconectar com o presente.
O barulho e o caos exacerbados aumentam o desejo por um lar biográfico, com alma, memória e objetos que contam histórias. Uma das macrotendências em evidência é o lar com identidade, no qual se manifesta o desejo de viver em interiores que dialoguem com narrativas pessoais e referências locais. O movimento da hiperlocalidade, baseado na ancestralidade, nos fazeres manuais e nos saberes tradicionais, faz com que a casa funcione como um espaço de pertencimento e restauração. Essa busca por autenticidade também se expressa como um posicionamento cultural: o novo “hype” é um lar autoral, com narrativa própria, em oposição a um catálogo impessoal e a um design pasteurizado.
As últimas mostras indicam que os lares tendem a ganhar interiores mais personalizados e afetivos, com uma atmosfera de acolhimento e aconchego. Nesse contexto, o conceito de “tecnologia silenciosa”, em diálogo com o quiet luxury, propõe uma integração discreta, na qual a inteligência artificial atua em verdadeira simbiose com a casa, sem ostentação, funcionando como uma interface onipresente, silenciosa, sutil e quase invisível.
Os projetos de arquitetura e design caminham em direção a uma materialidade orientada pela descarbonização, com o uso de materiais biobaseados e biofabricados. O minimalismo surge não apenas como estética, mas como um conceito, uma proposta de consumir menos, poluir menos e descartar menos. Em contraponto, observa-se a ousadia de um maximalismo evidenciado na mistura de cores, texturas e referências pessoais. O resultado é um novo tipo de luxo: consciente, discreto e carregado de memória, identidade e pertencimento.
