Os números de feminicídio seguem em escalada alarmante. Diante disso, tramita no Congresso Nacional um projeto de lei que equipara a misoginia ao racismo, prevendo penas mais severas, inafiançáveis e imprescritíveis. A ideia de que “o lugar da mulher é onde ela quiser” não garante, por si só, liberdade ou empoderamento; revela, de forma implícita, uma histórica invisibilidade e silenciamento, presentes no ambiente doméstico, nas ruas e, agora, também no espaço virtual.
A mulher contemporânea tem desconstruído estereótipos, rompido barreiras e ocupado espaços públicos e cargos de liderança. Ainda assim, há um movimento de contenção ao feminismo que se fortalece, especialmente nas redes sociais, por meio de discursos de ódio, aversão e violência psicológica. O sexismo extremo se torna instrumento de silenciamento e apagamento de uma longa trajetória de luta por direitos, contra um sistema patriarcal e opressor que historicamente associou mulheres à condição de propriedade, violando sua liberdade.
A visão que restringe mulheres à esfera privada e homens à pública deveria estar superada, mas persiste na prática. A casa ainda é, muitas vezes, um espaço de confinamento feminino, marcado pelo cuidado e pelo trabalho não remunerado. Nas cidades, diversas barreiras limitam a mobilidade e a ocupação segura dos espaços públicos pelas mulheres. Essa exclusão também se reflete na formulação de políticas públicas, que desconsideram suas vivências, resultando em ambientes urbanos pouco inclusivos.
No ciberespaço, há uma oportunidade de acesso à informação e articulação coletiva, conectando mulheres em torno de uma consciência crítica e da busca por direitos. No entanto, esse mesmo ambiente reproduz a herança cultural misógina, tornando-se terreno fértil para assédio e violência. Assim, persistem três dimensões de invisibilidade: doméstica, urbana e digital, que atravessam a história e continuam a moldar a forma como a mulher é vista e tratada na sociedade, situação a ser superada urgentemente.
