A fenilalanina é um aminoácido essencial ao corpo humano. Como não pode ser sintetizada pelo organismo, precisa ser adquirida por meio da dieta. Ela desempenha um papel vital na biossíntese de várias moléculas importantes e de outros aminoácidos, além de constituir cerca de 3,9% das proteínas do nosso organismo.
O corpo usa a fenilalanina para produzir tirosina, que auxilia na produção de hormônios e neurotransmissores como a melanina (presente na pele, nos olhos e no cérebro), dopamina, adrenalina, noradrenalina e os hormônios tireoidianos T3 e T4, além de contribuir para o aumento dos níveis de endorfinas no cérebro. Essas substâncias participam do controle do humor, da motivação, da atenção, da função cognitiva, do metabolismo, da energia e da proteção da pele e dos olhos contra a luz.
A fenilalanina também é precursora da melanotropina (hormônio estimulador dos melanócitos, responsável por regular a pigmentação da pele e do cabelo); da somatostatina (hormônio inibidor do hormônio do crescimento, da insulina, do glucagon e das secreções gástricas); e da angiotensina (hormônio fundamental na regulação da pressão arterial e do equilíbrio de líquidos no corpo).
A fenilalanina é substrato para a produção de catecolaminas (adrenalina, dopamina e noradrenalina), substâncias que contribuem para a homeostase do sistema nervoso. As catecolaminas são imprescindíveis para seu funcionamento, pois desempenham papel importante na resposta do corpo ao estresse, na dor crônica, na depressão, na ansiedade, no humor, na concentração, no foco, no aprendizado, na motivação, na memória e no estado de alerta. Elas também auxiliam no controle da pressão arterial, da frequência cardíaca, da respiração e da digestão.
A fenilalanina ajuda o corpo a produzir melanina, o pigmento responsável pela cor da pele, do cabelo e das unhas. Sua ingestão, combinada com terapia de luz ultravioleta, pode auxiliar no tratamento do vitiligo (doença autoimune na qual o sistema imunológico ataca erroneamente os melanócitos, células produtoras de melanina).
A fenilalanina é estimulante da atividade cerebral e mental, contribuindo para a melhora da ansiedade e da depressão, além de auxiliar no controle do uso de substâncias que causam dependência (tabagismo, alcoolismo e drogas ilícitas) e na doença de Parkinson. Na compulsão alimentar e na obesidade, apresenta efeito sacietogênico (favorece a liberação da colecistocinina, hormônio que regula a saciedade) e efeito termogênico.
A fenilalanina é encontrada em alimentos com alto teor de proteínas, como carnes (bovina, aves e suína), peixes, frutos-do-mar, laticínios, ovos, castanhas, nozes, amendoim, ervilhas, feijões, lentilhas, quinoa, arroz integral, trigo, aveia, soja, cevada, algas, sementes de abóbora e girassol, banana e espinafre. A absorção da fenilalanina é otimizada pela vitamina B6, vitamina C, tetrahidrobiopterina, sódio e vitamina D. Associada à vitamina C, participa da síntese do colágeno, contribuindo para a regeneração do tecido conjuntivo.
Pessoas com fenilcetonúria possuem deficiência da enzima fenilalanina-hidroxilase (responsável pelo metabolismo da fenilalanina) e devem seguir dietas restritas, evitando alimentos que contenham esse aminoácido. O acúmulo de fenilalanina pode causar pele, cabelos e olhos mais claros (devido à falta de pigmentação), odor mofado na urina e na pele, vômitos e danos neurológicos, como deficiência intelectual, microcefalia, atraso no desenvolvimento, crises convulsivas e transtornos psiquiátricos.
