A pandemia de COVID-19, responsável por milhares de mortes em todo o mundo, deixou marcas muito além da infecção respiratória. Entre as consequências mais frequentes está a queda intensa de cabelos, conhecida como eflúvio telógeno. Essa condição ocorre quando um evento de grande impacto para o organismo faz com que um número elevado de folículos capilares interrompa precocemente sua fase de crescimento e entre na fase telógena, dita de repouso. Como resultado, semanas depois, os fios começam a cair em grande quantidade, podendo ultrapassar 200 fios por dia.
Embora o eflúvio telógeno possa ocorrer após parto, cirurgias, febre alta, perda rápida de peso, estresse intenso, deficiência de ferro, doenças da tireoide ou uso de alguns medicamentos, a COVID-19 tornou-se uma das causas mais reconhecidas dessa alteração. Estudos mostram que aproximadamente um em cada quatro pacientes infectados pode apresentar queda importante dos cabelos após a doença. Assim, estima-se que entre 25% e 28% dos pacientes que contraíram a COVID-19 apresentaram o problema.
Diferentemente do eflúvio considerado clássico, que costuma surgir três a quatro meses após o fator desencadeante, na COVID-19 a queda geralmente começa entre sete e dez semanas após os primeiros sintomas. O problema é mais frequente em mulheres, em pessoas que tiveram formas mais graves da infecção, sintomas respiratórios importantes, hipertensão arterial ou estresse intenso durante a fase de hospitalização.
Os pesquisadores acreditam que vários mecanismos estejam envolvidos. A intensa resposta inflamatória provocada pelo vírus libera substâncias que afetam os folículos capilares. Além disso, a febre, o estresse físico da infecção, alterações da circulação sanguínea e, possivelmente, a ação direta do vírus sobre células do folículo piloso contribuem para que os cabelos entrem precocemente na fase de queda.
Apesar do impacto emocional que provoca, principalmente nas mulheres, o prognóstico costuma ser muito favorável. Na maioria dos casos, os cabelos podem voltar a crescer espontaneamente ao longo dos meses seguintes, embora a recuperação possa ser lenta e variar de pessoa para pessoa. O dermatologista pode solicitar exames para investigar outras causas, como deficiência de ferro, vitamina D, zinco, alterações hormonais ou outras doenças que também favorecem a queda capilar.
Quando necessário, o tratamento pode incluir minoxidil tópico, correção de deficiências nutricionais e medidas para estimular o crescimento dos fios. Uma alimentação equilibrada, rica em proteínas, vitaminas e minerais, também auxilia a recuperação.
É importante lembrar que a queda de cabelo após a COVID-19 não significa que a pessoa continuará perdendo cabelos permanentemente. Na grande maioria dos pacientes, trata-se de uma condição temporária e reversível. Reconhecer essa complicação, procurar orientação médica e evitar tratamentos sem comprovação científica são as melhores estratégias para recuperar a saúde dos cabelos e a tranquilidade.
