Toda cidade precisa de lugares de encontro, nos quais pessoas de diferentes origens, idades e histórias possam conviver, descobrir ideias e compartilhar experiências. Durante séculos, esse papel pertenceu às praças, nas quais o comércio dividia espaço com manifestações artísticas, celebrações e a vida cotidiana.
As cidades mudaram, e seus hábitos também. Embora nossa cidade tenha belas praças — entre elas, a Praça dos Escritores —, parte dessa convivência migrou para os shopping centers. Mesmo privados, eles se consolidaram como espaços de uso coletivo, frequentados por pessoas de todas as classes sociais, gerações e condições. Não há convite, filiação ou exigência além do respeito às regras básicas de convivência. Nesse sentido, o shopping tornou-se uma praça contemporânea: um lugar no qual a cidade se encontra.
Compreender que essa nova praça, nessa nova dinâmica, pode oferecer mais do que comércio e serviços tornou-se um diferencial do Riopreto Shopping. Ao abrir espaço para o lançamento de um livro, o empreendimento não se limita a ceder alguns metros quadrados: oferece estrutura, sistema de som, divulgação, organização e, sempre que possível, um café para autores e leitores, criando, assim, as condições para que o encontro aconteça. Mais do que hospedar um evento, o Riopreto Shopping torna-se parte dele e assume o relevante papel de agente cultural.
E a presença da iniciativa privada como agente cultural fortalece a cultura, que não depende apenas de quem escreve, pinta, fotografa, dança, representa ou compõe. Sim, a cultura depende também de quem abre portas, aproxima artistas do público e transforma ideias em experiências compartilhadas. A cultura precisa de artistas, mas também de anfitriões, pois instituições que dialogam apenas entre si buscam preservar prestígio, mas não possuem capacidade de ampliar o acesso à cultura.
Esse movimento, ancorado há mais de uma década no Riopreto Shopping, reverbera e ganha força na cidade. O Grupo Diário, por exemplo, utiliza sua estrutura e seus veículos para ampliar a visibilidade de projetos culturais. A artista plástica Norma Vilar, por sua vez, extrapola a atuação artística e comercial para agir como articuladora cultural, promovendo encontros, estimulando talentos e fortalecendo a produção local a cada vez que abre as portas de sua galeria a outros artistas.
São iniciativas distintas, entre outras existentes, mas unidas pela mesma compreensão: investir em cultura é investir na cidade. A Constituição Federal, em seu artigo 215, reconhece os direitos culturais e o acesso à cultura como dimensões da cidadania, da memória e da identidade coletiva. Embora caiba ao poder público garantir esses direitos, a participação da sociedade e da iniciativa privada amplia seu alcance e contribui para sua efetivação. É dessa convergência que nasce um verdadeiro ecossistema cultural. Porque uma cidade cresce quando amplia sua economia, mas amadurece quando produz conhecimento, preserva sua memória e valoriza seus artistas, criando oportunidades, estimulando encontros e fazendo circular ideias, livros, imagens, sons e pessoas.
A praça contemporânea pode estar dentro de um shopping center, na sede de uma empresa de comunicação ou em uma galeria de arte. O que importa não é o endereço, mas a disposição de abrir portas para que a cultura encontre seu público.
Porque toda obra precisa de um autor. Mas toda cidade culturalmente viva precisa, antes de tudo, de bons anfitriões.
