Em um cenário em que saúde emocional, relações interpessoais e bem-estar feminino ganham cada vez mais espaço nas discussões globais, um novo conceito passou a chamar atenção durante a 70ª Comissão sobre a Situação da Mulher da ONU (CSW70), realizada em março deste ano em Nova York, nos Estados Unidos. O encontro, considerado um dos mais importantes fóruns internacionais voltados à equidade de gênero e ao fortalecimento das mulheres, abriu espaço para um tema ainda pouco debatido: o “wollying”.
Apresentado pela delegação brasileira, o termo propõe uma reflexão sobre comportamentos de hostilidade emocional praticados entre mulheres, especialmente em ambientes profissionais, sociais e digitais. A palavra surge da junção entre os termos em inglês woman (mulher) e bullying, e descreve atitudes como competitividade excessiva, desqualificação silenciosa, humilhações sutis e ataques psicológicos velados.
Embora muitas dessas situações sejam frequentemente minimizadas ou interpretadas apenas como conflitos interpessoais, especialistas alertam para os impactos profundos que esse tipo de comportamento pode causar na autoestima, na saúde mental e na qualidade das relações femininas.
Para a psicóloga Isabela Dias, um dos maiores desafios ainda é dar visibilidade ao problema e fazer com que ele seja reconhecido socialmente. “Toda vez que uma nova discussão surge, principalmente ligada às dinâmicas emocionais entre mulheres, existe uma tendência inicial de resistência. Mas, quando observamos os relatos e experiências compartilhadas, percebemos que não se trata de episódios isolados. Há padrões de comportamento que merecem atenção e debate”, explica.
Segundo ela, ampliar a conversa sobre o tema também significa criar espaços mais acolhedores e saudáveis para as mulheres. “Quando esse assunto ganha relevância, abre-se caminho para pesquisas, educação emocional e iniciativas que incentivem relações mais empáticas. Existe ainda uma transformação cultural importante: substituir a lógica da rivalidade pela construção de apoio mútuo e parceria entre mulheres”, afirma.
É Lei
No Brasil, a Lei Federal nº 13.185, sancionada em 2015, já prevê a intimidação sistemática por meio de humilhação ou discriminação. Ainda assim, especialistas apontam que existem poucas ações específicas voltadas à conscientização e prevenção desse tipo de violência emocional entre mulheres.
Ao levar o tema para a ONU, a proposta brasileira buscou justamente ampliar o alcance dessa discussão em nível internacional, trazendo à tona um comportamento muitas vezes silencioso, mas que pode afetar diretamente o bem-estar emocional feminino.
