O prato do mês é provavelmente o mais famoso e o mais internacional da culinária espanhola: Paella. Os mouros, com suas tropas muçulmanas lideradas por Tariq ibn Ziyad atravessaram o Estreito de Gibraltar em 711 d.C. e entraram na Europa pela Península Ibérica (atual Espanha e Portugal). Trouxeram novas plantas, como o arroz, a cana-de-açúcar, as laranjeiras e as amendoeiras. O nome arroz tem a sua origem no árabe ar-ruzz. A região de Valência foi uma das primeiras a cultivar o arroz na Europa, é o berço da paella, da famosa Paella Valenciana.
O prato Paella foi batizado com o nome da panela, larga e rasa, chamada paella. Os camponeses da região saíam para trabalhar e levavam arroz, sal e azeite e juntavam caracóis e legumes. Tradicionalmente era cozinhada por homens. Com o tempo, acrescentaram coelho na receita e, mais tarde, aves. Os valencianos, como estão à beira-mar, também apreciavam a Paella Marinera, com peixes e mariscos. Há pouco tempo, fizeram uma pesquisa entre os cozinheiros espanhóis, e 90% confirmaram usar ingredientes como água, arroz, sal, açafrão, tomate, polvo, frango, coelho e morcilha (linguiça escura, à base de sangue, geralmente de porco).
Quando estive na Espanha, em 2006, para fotografar, fui à Valência e lá, comi várias paellas, nenhuma igual à outra. A de que eu mais gostei foi a Paella Mista, que é a de que eu vou dar a receita, com frutos-do-mar. Nesta mesma época, para descansar entre uma foto e muitas, parei e tomei um copo de suco de laranja despretensioso, que foi o melhor suco de laranja da vida. Mal sabia que a região de Valência é a maior produtora do país e que as Laranjas de Valência têm Indicação Geográfica Protegida (IGP), garantindo a sua qualidade. Também são usadas na famosa Água de Valência, coquetel feito com suco de laranja, espumante, vodka e gin.
Não é à toa que a Espanha foi chamada de “O Mercado Jardim da Europa”, porque a agricultura representa parte significativa de suas economia e exportação. Sendo o maior produtor de azeite de oliva e um dos maiores de laranja do mundo.
Antes que você questione qual a diferença da cúrcuma, ela é chamada de açafrão-da-terra, é da família do gengibre. É mais terrosa, mais amarga, tem o amarelo mais intenso; é um substituto mais barato do açafrão. Paella não é um prato barato. Nem pelos temperos, nem pelos frutos-do-mar, principalmente se você mora longe da praia. O melhor açafrão do mundo é o de La Mancha (Espanha). O alto preço do açafrão tem o fato de os pistilos (órgão reprodutivo feminino da planta) serem colhidos à mão. Cada flor produz apenas 3 pistilos. São necessários 150.000 pistilos para obter um quilo de açafrão seco. Outros açafrões de qualidade são o Iraniano, o do Afeganistão e o do Quércia (Itália). Leonardo Da Vinci também usou açafrão, mas como corante de tintas.
Esta receita também está em vídeo no meu Instagram @sylviacury.

