A alanina é um aminoácido não essencial, podendo ser produzida pelo fígado e não precisando ser consumida através da alimentação. Geralmente, é encontrada em altos níveis na corrente sanguínea da maioria das pessoas e é um dos aminoácidos mais concentrados em alimentos proteicos. A alanina é considerada um aminoácido glicogênico (pode ser convertido em glicose) e pode ser sintetizada a partir do piruvato e de aminoácidos de cadeia ramificada (leucina, isoleucina e valina).
A alanina auxilia em diversos processos metabólicos e as funções mais importantes incluem: desempenhar papel na conversão do açúcar em energia, no processamento de vitaminas do complexo B, auxiliar no metabolismo e na decomposição do triptofano e da vitamina B6, auxiliar no metabolismo ácido-base, aumentar a imunidade e participar da formação de carnosina, dipeptídeo anserina e ácido pantotênico (vitamina B5). Ela também fornece energia ao cérebro e aos músculos, auxilia na construção e reparação do tecido muscular, atua na desintoxicação do fígado e do sangue, protege as células contra danos oxidativos, ajuda a manter os níveis normais de colesterol, reduz a fadiga e os níveis de açúcar no sangue, protege contra doenças hepáticas e a hiperplasia prostática benigna.
Uma das principais funções da alanina, juntamente com o aminoácido histidina, é a formação do dipeptídeo intracelular carnosina, que atua como tampão de íons de hidrogênio e desempenha um importante papel na manutenção do equilíbrio ácido-base intracelular (neutraliza a acidez nos músculos, no coração e no cérebro). Isso é importante porque o exercício de média e alta intensidade produz uma grande quantidade de íons hidrogênio e provoca aumento da produção de ácido. Quanto maior a quantidade de ácido nos músculos, menor a performance e maior a fadiga.
A carnosina aumentada no músculo esquelético propicia maior força, tolerância e retardo da fadiga muscular durante atividades anaeróbicas de alta intensidade, principalmente nas atividades com duração de 1 a 10 minutos.
A alanina, ao aumentar a carnosina nos tecidos, contribui para o combate aos radicais livres, à inflamação e à quelação de íons, possui ação antiglicante (impede que as moléculas de açúcar danifiquem as proteínas) e reduz danos musculares. Devido ao seu papel como antioxidante, quelante de metais tóxicos e agente antiglicação, a carnosina oferece proteção cerebral e beneficia pacientes com doenças neurodegenerativas, como a doença de Parkinson, a demência e a doença de Alzheimer.
A alanina e a carnosina contribuem para o controle dos níveis de açúcar no sangue, auxiliam na redução da glicemia, da hemoglobina glicada e dos marcadores de resistência à insulina em indivíduos com diabetes, sobrepeso e obesidade.
Junto com a arginina e a glicina, a alanina ajuda na redução do colesterol.
A alanina pode ajudar a proteger contra o aumento do tamanho da próstata e reduzir a dor ao urinar, devido ao inchaço e aos sintomas causados pela hipertrofia.
Os sintomas decorrentes de baixos níveis de alanina são: fadiga, pouca resistência e força, atrofia muscular, tontura e alteração de humor e de apetite.
A alanina pode aumentar a resiliência ao transtorno do estresse pós-traumático, à lesão cerebral traumática leve e ao estresse térmico.
A alanina é obtida principalmente de produtos de origem animal, como carnes bovinas, suínas, aves, peixes e frutos do mar, ovos, leite e derivados, além de castanhas de caju, castanhas-do-pará, amêndoas, aspargo, berinjela, beterraba, cenoura, feijões, lentilhas, ervilhas, soja, quinoa, arroz integral, trigo sarraceno, aveia, milho, abacate e coco.
