“A Livraria Mágica de Paris”, best-seller da autora alemã Nina George (1973-), publicado originalmente em 2016, aborda de maneira delicada e bem-humorada questões como desilusão, perda e o poder (positivo) dos livros.
Traduzido para mais de 20 idiomas, o romance tem como protagonista Jean Perdu, dono de um barco-livraria que fica ancorado no rio Sena. É desse espaço que Perdu, um autoproclamado farmacêutico literário, indica (ou prescreve...) livros para as mais diversas dificuldades da vida.
Dono de certa capacidade intuitiva sobre os clientes, o livreiro consegue identificar carências, dores e anseios. Receita, assim, o livro ideal para cada um que o procura. Porém, a única pessoa que Perdu não consegue curar é a si mesmo.
Quando o romance tem início, faz 21 anos que o livreiro foi abandonado por Manon, o grande amor de sua vida. Dela restou, além das lembranças, uma carta selada que ele jamais abriu. Perdu se recusa a ouvir desculpas ou justificativas.
A chegada de Catherine, sua nova vizinha, o colocará em contato com a carta sorrateiramente excluída de seus horizontes. Perdu finalmente resolve que é hora de lê-la. A questão é que o conteúdo foge completamente de suas expectativas e lhe revela algo inesperado sobre sua amada Manon.
O livreiro decide, então, zarpar com sua “farmácia literária” rumo ao sul, navegar pelos rios franceses em direção à Provença, buscar a fazenda próxima a Sanary-sur-Mer que pertence à família de sua antiga amante.
Para a realização dessa missão, Perdu terá a companhia de um jovem escritor com bloqueio criativo e de um cozinheiro italiano em busca de uma barqueira por quem se apaixonou no passado.
“A Livraria Mágica de Paris” é uma declaração de amor aos livros. De maneira despretensiosa, o romance nos aponta o quanto eles podem dialogar conosco nos mais variados momentos de nossas vidas, traduzindo o que sentimos.
A história com a qual temos contato é pouco plausível, assim como, aliás, alguns personagens e situações com os quais nos deparamos ao longo da narrativa. “A Livraria Mágica de Paris” tem algo de idílico (mágico... como aponta o título!) e que nos remete, por vezes, à parábola e, especialmente, ao fantástico.
A viagem de Perdu é uma óbvia metáfora para uma jornada interior. Seu barco, o Lulu, é um espaço alheio às regras do mundo e coloca-o em contato com lugares significativos para sua trajetória intimista, uma jornada que ele realiza exercitando seu “olfato” para a alma humana.
“A Livraria Mágica de Paris” fala sobre o luto e sobre o que jamais poderá ser recuperado. A navegação de Perdu em direção ao sul e ao seu passado nos mostra que é preciso transformar os acontecimentos vividos e ressignificar as experiências. Só assim podemos renascer para o novo a cada perda. Um livro verdadeiramente interessante.
A LIVRARIA MÁGICA DE PARIS
Nina George
Editora: Record (2016)
Páginas: 308
Preço: R$ 37
