Há lugares que impressionam na chegada. A Capadócia preferiu fazer diferente comigo: foi me conquistando aos poucos.
Ficamos em Göreme, uma cidade onde tudo parece ter sido esculpido em vez de construído. Pedra, cavernas, rampas, degraus... muitos degraus, e uma paisagem que carrega tantos anos nas costas que a nossa pressa chega a parecer um pouco ridícula. É preciso algum tempo para entender o que se está vendo. E talvez seja justamente esse o encanto: a Capadócia não se entrega inteira no primeiro encontro.
Aos poucos, fomos entrando nela.
Almoçamos na casa de uma família local. Eles prepararam a comida e também nos ensinaram como deveríamos comê-la. Parece detalhe, mas é justamente aí que uma viagem começa a ficar interessante. Conhecer um lugar não é apenas provar o prato típico. É aceitar, por algumas horas, que o jeito do outro talvez seja melhor do que o nosso.
Em outro dia, fomos conhecer o trabalho de um dos grandes ceramistas da região. Conhecer é modo de dizer. Fizemos cerâmica. E entre barro, mãos pouco habilidosas, concentração, gargalhadas e aquela inevitável bagunça que acontece quando 16 amigas resolvem levar uma atividade artística a sério, descobrimos outra Capadócia. Porque ali tudo parece nascer das mãos: as casas, os objetos, a comida, a arte. Até a paisagem parece obra de algum artesão exageradamente criativo.
Nosso hotel também era assim: cavernas, pedra, escadas para todos os lados e, diante de nós, o céu dos balões. Só havia um problema: a chuva.
Durante dois dias esperamos. Os voos são rigorosamente controlados pela aviação civil e não existe argumento capaz de colocar um balão no céu quando as condições não permitem.
Até que o tempo abriu. Soube que voaríamos apenas algumas horas antes de seguirmos de volta para Istambul. E então aconteceu aquela cena que tantas fotografias tentam explicar e nenhuma consegue: dezenas de balões começaram a subir diante de nós.
Existem momentos em que até quem procura explicações para tudo prefere simplesmente acreditar. Eu acredito em Deus e acredito também nesses pequenos recados que a vida deixa pelo caminho. Depois da chuva, aquela manhã escancarada diante de nós parecia um deles.
