A campanha Fevereiro Laranja chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce da leucemia, do acesso a tratamentos adequados e do acolhimento às famílias que convivem com essas enfermidades. A iniciativa também reforça a necessidade de investimento em pesquisas para o desenvolvimento de novas terapias.
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), somente em 2020, o Brasil teve mais de 10.000 casos de leucemia, atingindo tanto adultos quanto crianças. Estima-se que, entre 2023 e 2025, teremos cerca de 11.540 novos casos no País.
Atualmente, as leucemias são classificadas em agudas e crônicas. As agudas, por sua natureza agressiva, exigem avaliação imediata e, frequentemente, internação hospitalar para o início do tratamento. Já as crônicas possuem um curso mais indolente e permitem acompanhamento ambulatorial em muitos casos. A prevalência desses subtipos varia de acordo com a faixa etária e com características genéticas e moleculares.
“Nas crianças, o subtipo mais frequente é a leucemia linfoide aguda, que é o câncer mais comum da infância. Já nos adultos mais velhos, observamos o predomínio das leucemias mieloides agudas”, explica o médico João Victor Piccolo Feliciano, hematologista e chefe da unidade de Transplante de Medula Óssea (TMO), do Hospital de Base. “Essa distribuição evidencia que os subtipos da doença variam de acordo com a idade e as características clínicas dos pacientes”.
O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de um tratamento bem-sucedido, tornando fundamental que a população esteja atenta a sintomas como fadiga excessiva, infecções recorrentes, sangramentos espontâneos, manchas roxas pelo corpo, gânglios inchados e palidez.
“A leucemia aguda pode evoluir rapidamente, por isso a detecção precoce é fundamental para um tratamento adequado e para o sucesso dos resultados. Muitas pessoas desconhecem os sinais da doença e demoram a buscar ajuda. Por isso, campanhas como o Fevereiro Laranja são essenciais para ampliar o conhecimento da população. Além disso, é importante reforçar o cadastro como doador de medula óssea, que pode ser a esperança para muitos pacientes. Trata-se de um simples exame de sangue, e qualquer pessoa saudável pode se tornar um possível doador e mudar vidas”, destaca o médico Evandro Fagundes, referência em leucemias.
Exames de rotina podem ajudar a levantar a suspeita de leucemia, especialmente nos estágios iniciais da doença. O principal deles é o hemograma completo, um exame simples, acessível e amplamente disponível, inclusive na rede pública. “O hemograma pode mostrar alterações importantes, como hemoglobina baixa, mudanças no número e na qualidade dos leucócitos, presença de blastos circulantes e plaquetas baixas”, explica Luane Rodrigues de Paula Ferreira, médica da Atenção Integral à Saúde da Unimed Rio Preto.
Segundo ela, outros exames laboratoriais, como marcadores inflamatórios, bioquímica sanguínea e coagulograma, também auxiliam na avaliação inicial, ao complementar o quadro clínico. “Embora o hemograma não seja suficiente para fechar o diagnóstico, ele é essencial para levantar a suspeita e indicar a necessidade de investigação especializada com o hematologista”.
Sintomas
No início da leucemia, os sinais costumam ser discretos e, por isso, frequentemente ignorados. A doença afeta diretamente a medula óssea, comprometendo a produção normal do sangue e atingindo principalmente seus componentes celulares. Com a redução das plaquetas, podem surgir manchas roxas espontâneas na pele, pequenos pontos avermelhados — conhecidos como petequias — e sangramentos sem causa aparente. “À medida que a leucemia avança dentro da medula óssea, ocorre um prejuízo na produção do sangue normal. A queda das plaquetas provoca sangramentos espontâneos que, se não identificados precocemente, podem evoluir para quadros graves e colocar a vida do paciente em risco”, explica João Victor.
O paciente deve procurar um médico sempre que apresentar sinais ou sintomas que persistam por mais de duas a três semanas, especialmente quando não há uma explicação clara. “É importante não normalizar esses sinais, especialmente quando aparecem de forma associada. A avaliação médica precoce pode permitir o diagnóstico oportuno e melhorar significativamente os resultados do tratamento”, afirma a médica Luane.

