Cansaço constante, sonolência durante o dia e dificuldade de concentração são sinais de que algo não vai bem com a qualidade do sono. Em muitos casos, o vilão por trás desses sintomas é o ronco — um problema comum, frequentemente subestimado por parecer apenas um incômodo noturno. Mais do que perturbar o descanso de quem ronca (e de quem dorme ao lado), ele pode indicar que há algo errado com a respiração e até revelar doenças como a apneia obstrutiva do sono, que comprometem a oxigenação e colocam a saúde em risco.
De acordo com o otorrinolaringologista Rubens Huber, da clínica Otorrino Rio Preto, o ronco nem sempre está relacionado a um problema grave de saúde, mas serve como um indicativo de que algo pode estar errado. O médico afirma que, em muitos casos, está associado à apneia do sono, quando ocorrem paradas momentâneas da respiração durante o sono.
Uma das causas mais comuns, Huber cita a obesidade. “É algo muito incidente na nossa população, desde crianças até adultos. Então, o fato da pessoa estar fora do peso ocasiona uma incidência maior de ronco”. Além disso, ele lista ainda os problemas nasais, as amígdalas aumentadas e até a língua volumosa, fatores que estreitam as vias aéreas e favorecem o barulho característico.
Os sinais de que o ronco ultrapassou o limite do incômodo e passou a comprometer a saúde incluem pausas respiratórias, engasgos noturnos, sono agitado, cansaço diurno, dor de cabeça matinal, irritabilidade e dificuldade de concentração. Segundo o médico Adriano Reis, que atua na mesma clínica, esses sintomas indicam que o ronco pode estar interferindo na oxigenação e na qualidade do sono.
Adriano afirma que o ronco é muitas vezes o primeiro sinal da apneia obstrutiva do sono. “Quando não tratada, essa condição pode causar hipertensão, arritmias, aumento do risco de infarto e AVC, além de alterações metabólicas, sonolência diurna, perda de memória e queda de desempenho no trabalho”, alerta.
O diagnóstico começa com uma avaliação clínica detalhada, ouvindo o paciente e o parceiro de quarto, e um exame físico do nariz, garganta e estrutura facial. “O exame principal é a polissonografia, que monitora o sono durante a noite e registra parâmetros como respiração, batimentos cardíacos e níveis de oxigênio”, afirma Adriano.
Impacto na qualidade de vida
Mais do que um desconforto sonoro, o ronco pode ter impacto profundo na qualidade de vida do paciente, como alerta o otorrinolaringologista Rael Lucas Matimoto. Ela pode causar fadiga diurna, irritabilidade e dificuldade de concentração; sonolência excessiva, com risco aumentado de acidentes de trânsito e de trabalho, problemas de memória e queda no desempenho profissional; aumento do risco cardiovascular, como hipertensão, arritmias, infarto e AVC; alterações hormonais e metabólicas, como resistência à insulina, ganho de peso; e comprometimento emocional, como ansiedade, depressão, perda da libido.
Para a família, causa o chamado “divórcio de quarto”, quando o parceiro busca dormir em outro cômodo devido ao barulho constante. O sono fragmentado afeta também quem divide a cama, gerando cansaço compartilhado e preocupação com a saúde do outro. “Presenciar pausas respiratórias noturnas pode gerar ansiedade na família”, afirma Lucas.
Prevenção e orientações para noites de sono mais saudáveis
Hábitos preventivos:
Manter peso adequado
Evitar álcool, tabaco e sedativos
Dormir de lado (pode usar travesseiro anti-ronco ou camiseta com bola de tênis nas costas para evitar dormir de barriga para cima)
Praticar atividade física regular
Tratar alergias e congestões nasais crônicas
Higiene do sono:
Tenha um horário regular para dormir e acordar
Evite telas e luz azul pelo menos 1 hora antes de dormir
Ambiente escuro, silencioso e fresco favorece o sono profundo
Evite cafeína e refeições pesadas nas 3–4 horas antes de deitar
Crie um ritual relaxante (leitura leve, respiração,
Fonte: Rael Lucas Matimoto, otorrinolaringologista
