Causada em 80% dos casos pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), a bronquiolite viral aguda (BVA) é uma infecção respiratória que atinge, principalmente, crianças de até dois anos – com maior atenção para bebês de até seis meses. A doença costuma apresentar aumento de casos durante o outono, período em que vírus respiratórios circulam com mais intensidade e elevam o número de atendimentos pediátricos por bronquiolite em bebês e crianças pequenas. Segundo o Ministério da Saúde (MS), em 2025 o Brasil registrou 120.176 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) provocados por vírus respiratórios. Por outro lado, vacinas para gestantes e imunizantes para recém-nascidos podem prevenir as infecções.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o VSR como uma das causas mais comuns de infecções respiratórias graves em crianças pequenas no mundo, com mais de 3,6 milhões de hospitalizações e aproximadamente 100 mil mortes por ano em menores de cinco anos. A pediatra e professora da Faceres Sarah Dourado Alvarenga explica que os sintomas iniciais incluem coriza, tosse, febre baixa e irritabilidade. “E pode evoluir para dificuldade respiratória, chiado no peito e falta de ar, exigindo avaliação médica”, cita.
Bebês prematuros, menores de seis meses ou com doenças cardíacas, pulmonares ou imunidade comprometida fazem parte do grupo de maior risco. “O grande desafio é que a bronquiolite pode piorar em poucas horas, principalmente em bebês pequenos”, alerta Sarah Dourado.
Outra pediatra e professora da Faceres, Paula Ramos, complementa que a respiração do bebê ou da criança também pode acelerar. “A criança pode apresentar esforço para respirar e dificuldade para mamar – sinais de alerta para atendimento imediato”, explica. Como uma infecção viral, a bronquiolite não possui tratamento específico e os cuidados são de suporte. “Com hidratação e, nos casos mais graves, oxigenoterapia e internação”, explica Paula Ramos.
Diagnóstico precoce
A pneumologista pediátrica Isabella De Lalibera Bellintani alerta sobre a importância do diagnóstico precoce. “Permite identificar rapidamente sinais de alerta e orientar a família sobre como acompanhar a evolução da doença”, afirma. Segundo ela, bronquiolite costuma ter um curso que pode piorar entre o terceiro e o quinto dia de sintomas. A avaliação precoce também evita complicações. “Na grande maioria dos casos, a doença evolui bem e resolve completamente em sete a dez dias, mas o acompanhamento adequado desde o início aumenta muito a segurança da família e do médico assistente”, afirma.
De acordo com a pneumologista pediátrica, mortes por bronquiolite são raras, especialmente quando o bebê recebe acompanhamento médico adequado. “Esse risco é maior em bebês muito pequenos, principalmente prematuros extremos, ou em crianças que já têm outras doenças importantes, como cardiopatias congênitas, doenças pulmonares ou condições neurológicas graves”, afirma.
