“Mais comida de verdade e menos alimentos processados”. O lema é das Diretrizes Alimentares para Americanos 2025-2030 – a nova pirâmide alimentar dos Estados Unidos. O novo padrão, o qual incentiva o consumo de mais proteínas e vegetais e menos carboidratos refinados e produtos processados e ultraprocessados, consolida um recado que a Ciência repete há anos: comer bem é colocar alimento de qualidade no prato. Mais do que números, o novo guia, lançado pelo governo do presidente Donald Trump, destaca a importância de uma alimentação saudável aliada à atividade física, sono adequado e controle de estresse.
As novas diretrizes, intituladas de Dietary Guidelines for Americans 2025–2030, colocam carnes, queijos e laticínios no mesmo patamar de importância de vegetais, legumes e frutas, enquanto reduzem o consumo de carboidratos como o arroz. Na prática, o nutricionista Ronan Nakau explica que a nova pirâmide recomenda de duas a quatro porções de grãos integrais por dia, com redução significativa do consumo de carboidratos refinados e um incentivo a proteínas, porém sem exageros, “na faixa de 1,2 a 1,6 gramas de proteína por quilo de peso corporal por dia e o consumo de três porções diárias de laticínios”, explica. Para os vegetais, três porções e duas frutas por dia.
Por outro lado, o novo guia mantém o consumo de sódio abaixo de 2,3 miligramas diários e faz um alerta para as gorduras saturadas. “A recomendação permanece em até 10% do valor energético total diário. Em nenhum momento o guia afirma que o consumo desse tipo de gordura é liberado”, observa o nutricionista.
Um ponto importante, segundo Ronan, é a atenção às gorduras de origem animal. "Não é recomendado ingerir grandes quantidades de gorduras de origem animal, já que esse limite é facilmente atingido ao longo do dia", alerta.
Segundo o nutricionista, a principal diferença da nova diretriz é a inversão da pirâmide alimentar. “Maior reforço no consumo de proteínas, menos carboidratos refinados, maior incentivo aos vegetais, frutas e gorduras boas (azeite, oleaginosas, abacate e peixes) e alimentos ultraprocessados, industrializados e açúcares são claramente desestimulados (antes, eram mais tolerados)”.
Segundo o nutricionista, o novo guia reforça a ideia de padrão alimentar e não de liberação ou demonização de alimentos isolados. “O foco está no conjunto da alimentação ao longo da rotina, e não em escolhas pontuais”, esclarece.
Calorias
Em termos de calorias, a nova pirâmide alimentar, segundo a nutricionista Janaina Fernandes, faz uma análise calórica focada na densidade nutricional, “em alimentos como proteína animal e gorduras naturais, visando combater a obesidade pela redução de carboidratos refinados", afirma. O novo guia também defende menos calorias por meio da redução expressa de processados. "Há uma ênfase explícita em diminuir calorias vazias provenientes de açúcares adicionados e alimentos industrializados”, explica Janaína.
Segundo Janaína, o foco está no controle metabólico. “Enquanto o modelo antigo focava em carboidratos (grãos) na base, o novo modelo foca em 'comida de verdade' (proteínas, frutas, legumes) para controle metabólico", analisa. "Há controversas segundo especialistas devido ao foco em proteínas de origem animal”, complementa.
Comparação
A nova pirâmide alimentar americana (2026) e o Guia Alimentar para a População Brasileira, segundo Janaína Fernandes, convergem na priorização de alimentos in natura e na redução drástica de produtos industrializados. Segundo a nutricionista, o foco das duas diretrizes está na comida de verdade (frutas, legumes, verduras, grãos), redução de ultraprocessados, menos açúcar e açucarados e sustentabilidade, “incentivo ao consumo de água e redução de refrigerantes e sucos industrializados e ambos os modelos consideram a alimentação como um padrão sustentável”.
Sobre as diferenças, segundo a nutricionista, a pirâmide americana foca mais nas proteínas, é mais permissiva com gorduras e dá menos destaque para grãos refinados, enquanto o modelo brasileiro prioriza vegetais, analisa os alimentos como um todo e considera carboidratos complexos saudáveis numa dieta equilibrada. “A nova pirâmide americana se aproxima do modelo brasileiro ao valorizar o que é natural, mas mantém sua característica de foco em proteínas e nutrientes, enquanto o brasileiro foca na cultura alimentar”, compara.

