Utilizadas principalmente na cirurgia de catarata, as lentes intraoculares também podem corrigir erros refrativos, como miopia, hipermetropia e astigmatismo. Dependendo da tecnologia escolhida, é possível melhorar a visão para perto, longe e distâncias intermediárias, reduzindo a dependência dos óculos. A indicação, porém, exige avaliação individualizada, pois nem todas as lentes oferecem os mesmos resultados e nem todos os pacientes são candidatos a todas as tecnologias.
A principal indicação das lentes intraoculares ainda é para a cirurgia de catarata, condição em que o cristalino perde a transparência e prejudica a visão. “A catarata é a principal causa de cegueira reversível no mundo e o único tratamento é a cirurgia denominada facoemulsificação”, explica o oftalmologista Rafael Delsin. A doença está relacionada ao envelhecimento, mas também está ligada a traumas, uso de medicamentos e doenças sistêmicas.
Já a cirurgia, segundo Delsin, é um procedimento seguro e rápido – entre 10 e 20 minutos – com anestesia local (por colírio ou pequena injeção ao redor do olho), na maioria dos casos, sem necessidade de internação. “Cirurgia que consiste na retirada do cristalino opaco e na implantação de uma lente artificial”, explica. Normalmente, um olho é operado com intervalo de dias em relação ao outro. “O que permite avaliar a recuperação do primeiro olho antes de operar o segundo”, afirmou o médico.
O repouso da cirurgia não exige imobilidade. “Esforços físicos mais intensos e atividades como dirigir devem esperar a liberação médica”, afirma o oftalmologista. Segundo Delsin, a maioria dos pacientes percebe a melhora na qualidade da visão entre 24 e 48 horas. “A visão fica progressivamente mais nítida ao longo das primeiras semanas”, completa.
Apesar de ser considerada segura, a cirurgia de catarata pode ter complicações. “Como endoftalmite (infecção intraocular), ruptura de cápsula posterior, perda vítrea, descolamento de retina, edema macular, descentração da lente intraocular”, cita. “Os fatores de risco são idade avançada, patologias oculares preexistentes, cirurgias oculares anteriores e curva de aprendizagem do cirurgião”, afirma o médico.
Catarata e grau
As lentes intraoculares colocadas na catarata também podem fazer correção de grau de acordo com a lente utilizada, como as lentes monofocais, que, além de corrigir a catarata, podem corrigir a miopia (dificuldade de enxergar de longe) e hipermetropia (dificuldade de enxergar de perto). “Essas lentes só vão corrigir esse grau para longe”, ressalta o oftalmologista do Hospital Municipal Remo de Tomi.
No caso de pessoas com astigmatismo, o médico afirma que o ideal são as tóricas, e para correção de catarata, miopia, hipermetropia e astigmatismo são as multifocais. “São as lentes mais caras, essas são as lentes que exigem um investimento maior”, afirma
As lentes intraoculares são produzidas com materiais biocompatíveis, como acrílico dobrável ou silicone, e são projetadas para permanecer no olho por toda a vida, sem prazo de validade definido. “As lentes intraoculares são permanentes e ficam geralmente dentro do olho de uma maneira contínua, na maioria das vezes para o resto da vida, a não ser que você não consiga fazer uma limpeza com laser ou o paciente tenha alguma alteração na lente intraocular”, afirma Remo de Tomi.
Apenas grau
Quando a lente intraocular é implantada apenas para corrigir grau - miopia, hipermetropia e astigmatismo – o cuidado deve ser redobrado. “Nesses casos, a indicação precisa ser criteriosa, porque estamos substituindo um cristalino que pode ainda ser transparente e funcional”, afirma a médica oftalmologista especialista em Retina Clínica, Alléxya Affonso.
Nestes casos em que ainda não há condição de catarata, o oftalmologista Remo de Tomi ressalta que há outras técnicas, como a cirurgia refrativa a laser ou outras opções de correção óptica. “Lembrando que erros de refração podem ser corrigidos de outras maneiras; além das lentes intraoculares, existem cirurgias refrativas feitas com laser para corrigir esses defeitos refrativos”, ressaltou.

