Acordar cansado, sentir dificuldade para subir escadas, enfrentar lapsos de memória ou perceber que a concentração já não é a mesma. Em uma rotina marcada por jornadas de trabalho, estudos, cuidados com a casa e com a família, esses sintomas costumam ser atribuídos ao estresse ou ao excesso de compromissos. No entanto, em alguns casos, o organismo pode estar sinalizando algo mais profundo: a deficiência de nutrientes essenciais.
Embora o cansaço seja uma queixa frequente entre homens e mulheres, especialistas alertam que a fadiga persistente não deve ser encarada como algo normal, principalmente quando passa a comprometer a qualidade de vida. Baixos níveis de ferro, vitamina B12 e vitamina D, por exemplo, podem reduzir a disposição física e mental e afetar o funcionamento do organismo.
Segundo o nutrólogo Lailson Ambrósio, uma das situações mais comuns observadas em consultório é a deficiência de ferritina, proteína responsável pelo armazenamento de ferro, e de vitamina B12, especialmente entre mulheres. “Recebo mães que se sentem culpadas por não terem energia para brincar com os filhos ou para focar no trabalho, achando que o problema é a gestão do tempo. Na maioria das vezes, o que falta é matéria-prima nas células. É impossível exigir performance e bem-estar de um organismo que está quimicamente desnutrido”, afirma o especialista.
De acordo com o médico, esses nutrientes são fundamentais para o transporte de oxigênio pelo organismo e para o bom funcionamento do sistema nervoso. Quando estão em níveis insuficientes, é comum surgirem sintomas como exaustão, dificuldade de concentração e sensação de “névoa mental”.
Para ele, é importante deixar de tratar esse quadro como uma consequência inevitável da rotina intensa. “A mãe precisa estar bem para que todo o resto funcione, mas ela não deve ser a última da fila. Quando corrigimos uma deficiência de ferro ou de vitaminas do complexo B, não estamos apenas dando um remédio, estamos entregando autonomia e devolvendo a capacidade de viver a rotina com prazer, e não apenas por obrigação”, afirma Lailson Ambrósio,
Alimentação saudável
Embora uma dieta equilibrada seja a principal fonte de vitaminas e minerais, ela nem sempre garante níveis adequados de todos os nutrientes. Anderson Carniel, coordenador e professor do curso de Farmácia da Universidade Guarulhos (UNG), destaca a vitamina D como um dos principais exemplos.
Produzida principalmente pela exposição da pele ao sol, ela costuma apresentar baixos índices em pessoas que passam a maior parte do dia em ambientes fechados. “Estudos recentes realizados no estado de São Paulo apontam aproximadamente 50% dos adultos jovens apresentando níveis insuficientes ou deficientes de vitamina D, mesmo em períodos mais quentes do ano”, afirma.
Na prática clínica, segundo Carniel, a vitamina D é uma das suplementações mais frequentes, seguida por vitaminas C e complexo B. Além disso, há os minerais ferro, cálcio, magnésio e zinco; proteínas e aminoácidos - whey protein, proteína vegetal, creatina e BCAA; fitoterápicos, como ginseng e cúrcuma; e probióticos voltados à saúde intestinal e imunidade.
Outro grupo que exige atenção é o dos veganos. Como a vitamina B12 está presente naturalmente apenas em alimentos de origem animal, a suplementação costuma ser indispensável para evitar complicações relacionadas ao sistema nervoso e à formação das células sanguíneas. Além disso, fatores como o envelhecimento e alterações na absorção intestinal podem fazer com que até pessoas com alimentação considerada adequada necessitem de suplementação.

