A Ação Precoce no Combate ao Diabetes é o tema do Dia Mundial do Diabetes em 2026, celebrado no próximo sábado, 14 de novembro, e chama a atenção para a importância do diagnóstico antecipado e da redução do risco da doença. Estima-se que 589 milhões de adultos, entre 20 e 79 anos, viviam com diabetes no mundo em 2024. Até 2050, esse número poderá chegar a 853 milhões, segundo a 11ª edição do Atlas do Diabetes, da Federação Internacional de Diabetes (IDF), publicada em 2025. O Brasil tem cerca de 17 milhões de pessoas com a doença, ocupando a sexta posição mundial em número de casos.
Além do crescimento da doença, preocupa a quantidade de pessoas sem diagnóstico. Cerca de 252 milhões de adultos com diabetes não sabem que têm a condição — aproximadamente quatro em cada dez pessoas afetadas. Sem diagnóstico, o início do acompanhamento e do tratamento pode ser adiado, aumentando o risco de complicações.
No Brasil, são estimados 16,6 milhões de adultos com diabetes, e a projeção da IDF é que o número chegue a 24 milhões em 2050. “O diagnóstico precoce permite iniciar o cuidado adequado e reduzir o risco de complicações”, afirma a endocrinologista Dra. Lorena Amato.
A especialista conta que mais de 90% dos casos de diabetes correspondem ao tipo 2. A doença se caracteriza pela resistência à ação da insulina e pela produção insuficiente do hormônio para manter a glicose no sangue em níveis adequados.
“O diabetes tipo 2 está associado a fatores como idade, excesso de peso, sedentarismo e hábitos alimentares pouco saudáveis. Embora seja mais frequente em adultos, o diabetes tipo 2 também vem sendo diagnosticado em pessoas mais jovens”, alerta Dra. Lorena Amato.
Em muitos casos, mudanças no estilo de vida e acompanhamento com o especialista podem ajudar a prevenir e diagnosticar precocemente o diabetes tipo 2. A Federação Internacional de Diabetes oferece uma avaliação online que estima a probabilidade de desenvolver a doença nos dez anos seguintes. O questionário tem finalidade informativa e não substitui consulta, exames ou diagnóstico feito por profissional de saúde.
Alimentação é aliada na prevenção
A nutricionista Helena Navarro reforça que a alimentação tem papel fundamental na prevenção e no controle da diabetes.
“Uma dieta equilibrada ajuda a manter a glicemia estável, previne o ganho de peso e reduz o risco de resistência à insulina, que é um dos principais fatores para o surgimento do diabetes tipo 2”, explica.
Segundo ela, o foco deve estar em alimentos naturais, ricos em fibras, proteínas magras e gorduras boas, além de evitar o excesso de açúcar, ultraprocessados e bebidas alcoólicas. “Frutas, verduras, legumes, grãos integrais e fontes de proteína de qualidade devem fazer parte do dia a dia. É importante manter horários regulares das refeições para evitar picos de glicose”, orienta.
Helena também destaca a importância da hidratação e da prática de atividade física. “Beber água ao longo do dia e se movimentar regularmente ajudam o corpo a usar melhor a insulina e contribuem para o equilíbrio da glicemia. Pequenas escolhas, feitas todos os dias, fazem grande diferença”, afirma.
Diabetes tipo 1
Diferentemente do tipo 2, o diabetes tipo 1 é uma doença autoimune em que o sistema imunológico destrói as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina.
“A deficiência do hormônio eleva a glicose no sangue e exige tratamento contínuo. Os sintomas podem ser confundidos com os de outras doenças e, em adultos, há casos em que o tipo 1 é inicialmente classificado como tipo 2. O erro pode atrasar o tratamento adequado”, alerta Dra. Lorena.
Anvisa aprova novo medicamento para diabetes tipo 2
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de Kyinsu®, medicamento que reúne insulina icodeca e semaglutida em uma única aplicação semanal. A combinação representa uma nova alternativa de tratamento para adultos com diabetes tipo 2, de acordo com a indicação aprovada.
Para a endocrinologista Bianca Silveira, a novidade pode facilitar a rotina dos pacientes. “A associação dos dois princípios ativos em uma aplicação por semana torna o tratamento mais prático e amplia as possibilidades de controle da doença”, explica.
A doença ocorre quando o organismo desenvolve resistência à insulina ou não produz quantidade suficiente do hormônio para controlar a glicose no sangue. Embora seja mais frequente em adultos com excesso de peso e hábitos sedentários, os diagnósticos também têm aumentado entre pessoas mais jovens.
Na maioria dos casos, o diabetes tipo 2 evolui sem sintomas e é identificado em exames de rotina. Quando aparecem, os sinais podem incluir sede excessiva, aumento da frequência urinária e emagrecimento sem causa aparente. “Muitas pessoas convivem com a doença durante anos sem saber, pois os sintomas costumam surgir quando o quadro já está mais avançado”, alerta Bianca.
Sinais que podem indicar o diabetes:
Sede intensa;
Sede excessiva
Aumento da frequência urinária
Fome excessiva
Cansaço frequente
Perda de peso inexplicável
Visão embaçada
Cicatrização lenta
Infecções recorrentes
Formigamento ou dormência
Fonte: Ministério da Saúde
