Nariz entupido, espirros, coriza, tosse e dor de garganta costumam fazer parte de quadros de gripes, resfriados, rinites ou alergias durante a estação mais fria do ano: o inverno. Mas nem sempre esses sintomas significam infecções e doenças respiratórias. Resfriados, rinite alérgica e outras alergias respiratórias são frequentes nesta época do ano, por conta do tempo seco, mudanças bruscas de temperatura e maior concentração de poeira e poluentes no ar. Especialistas alertam que saber diferenciar cada quadro é fundamental para adotar tratamento e prevenção, evitar complicações e reconhecer os sinais de alerta.
A médica intensivista pediátrica do Hospital da Criança e Maternidade (HCM), Carina Aparecida Dametto, explica que, apesar de ser bastante difícil diferenciar quadros infecciosos, como resfriados e gripes, de quadros alérgicos, os sinais e sintomas são importantes para ajudar a identificar. “Os quadros mais agudos, com comprometimento do estado geral e com febre, falam muito a favor de infecção viral”, explica. “Já os quadros mais arrastados, associados a prurido nasal e coriza, podem estar associados a alergias respiratórias”, complementa. A médica reforça que quadros de alergias, portanto, não comprometem o corpo e não têm febre. “Já os quadros de infecção viral das vias aéreas podem causar mal-estar, dor no corpo e febre.”
O médico otorrinolaringologista da clínica Otorrino Rio Preto, Adriano Reis, afirma que a maioria das infecções respiratórias pode ser tratada em casa com repouso, hidratação e medicações para alívio dos sintomas, mas é necessário ter atenção para alguns grupos, os quais necessitam de avaliação médica mediante sintomas, “especialmente em grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas”, orienta.
O médico destaca que, em casos de dificuldade para respirar, respiração acelerada ou ofegante, chiado intenso no peito, sonolência excessiva, confusão mental, desidratação, falta de fome ou falta de vontade de beber água, além de febre alta persistente, tosse por mais de duas semanas e piora progressiva de sintomas, é necessário procurar ajuda médica urgente. “Esses sinais podem indicar complicações como pneumonia ou agravamento de doenças respiratórias pré-existentes”, alerta.
No caso de crianças pequenas e idosos, a preocupação deve ser redobrada. “A evolução costuma ser mais rápida, por isso a observação deve ser ainda mais cuidadosa”, reforça o otorrinolaringologista.
Inverno
As oscilações de temperatura, dias frios e normalmente mais secos estão entre os fatores que podem agravar os sintomas de rinite, asmas e outras doenças respiratórias. Condições que, segundo a pediatra e professora da Faculdade de Medicina Faceres, Gabriela Giglio, agravam também os quadros já pré-existentes. “Pessoas com predisposição a alergias respiratórias podem apresentar agravamento de sintomas como espirros, coriza, congestão nasal, tosse e dificuldade para respirar”, afirma.
Segundo a especialista, o clima influencia diretamente a qualidade do ar e a presença de agentes desencadeadores de crises alérgicas, “como poeira, ácaros, fungos e partículas poluentes”, cita. E, no caso das crianças, em especial, a médica alerta para o aumento de casos com os pequenos doentes. “Esse cenário climático também pode contribuir para a exacerbação de crises de rinite e asma”, alerta a médica.
Prevenção
O otorrinolaringologista Adriano Reis reforça que a higiene é uma das principais prevenções. “A higiene frequente das mãos continua sendo uma das estratégias mais eficazes para reduzir a transmissão de vírus”, afirma.
Outras medidas também podem prevenir infecções e alergias. “Importante manter os ambientes ventilados, evitar aglomerações quando possível”, orienta. Para pessoas alérgicas, a recomendação do especialista é reforçar algumas ações. “Realizar a limpeza da casa, reduzir o acúmulo de poeira, lavar roupas de cama regularmente e evitar objetos que acumulem ácaros, como tapetes e cortinas em excesso”, recomenda.
A médica do HCM, Carina Aparecida Dametto, reforça a importância das vacinas e da hidratação. “As vacinas também assumem um papel muito importante na prevenção das doenças respiratórias, assim como alimentação adequada e atividade física”, orienta. “Nos casos das doenças virais, na grande maioria das vezes devemos manter hidratação adequada e repouso com sintomáticos quando necessário”, complementa.


