A cantora Maiara, da dupla sertaneja Maiara e Maraisa, usou as redes sociais para contar sua experiência com a alopecia androgenética, a popular calvície, e fez um alerta importante sobre a condição que pode ser confundida com outros tipos de queda capilar, evoluir de forma silenciosa e, assim, prejudicar os resultados do tratamento. Diferentemente do que se imagina, segundo especialistas, a alopecia androgenética nem sempre começa com uma queda intensa de fios, mas com afinamento progressivo do cabelo, o que pode atrasar o diagnóstico e comprometer os resultados dos tratamentos.
Pós-graduado em dermatologia e cirurgião de transplante capilar, o médico Renan Pinheiro reforça que uma das principais características da calvície ou alopecia androgenética é a ausência de queda expressiva. “O paciente percebe um afinamento lento e progressivo dos fios e com o passar do tempo o volume vai diminuindo até começar a surgir algumas falhas em certas regiões”, explica o médico.
O cirurgião ressalta que é normal a perda entre 100 a 125 fios de cabelo por dia. “Qualquer queda acima deste valor por um período superior a uma e duas semanas, no entanto, além de sintomas como dor, coceira e descamação no couro cabeludo acendem sinais de alertas que devem ser investigados”, alerta.
A alopecia androgenética, segundo o médico, também pode estar associada a outros tipos de queda, como a alopecia por tração ou eflúvio telógeno agudo, “quando o paciente nota queda importante dos cabelos globalmente ou em algumas regiões específicas - devido a tração do pelo, como é o caso de mega hair, tranças, etc”, alerta.
Alopecias em mulheres
Quadros de alopecias androgenéticas em mulheres, como no caso da cantora Maiara, segundo a biomédica, tricologista e graduanda de medicina Sílvia Galbiatti se manifestam como um afinamento difuso dos fios, principalmente na região do topo da cabeça, com preservação da linha frontal. “Às vezes inicia com aumento da oleosidade, por exemplo, e por anos fica apenas na troca de cosméticos, com foco no problema secundário e quando o afinamento destaca, já se passou muito tempo e a paciente chega com o relato de que está vendo o couro cabeludo”, explica Sílvia.
O diagnóstico precoce, segundo a tricologista, impacta diretamente no prognóstico. “A alopecia androgenética é uma condição progressiva e crônica que leva à miniaturização dos folículos capilares e com o tempo esses folículos podem deixar de produzir fios e consequente formam fibrose (cicatriz) que torna o processo parcialmente irreversível”, alerta Silvia.
Tratamento
A alopecia androgenética passa por tratamento específico, segundo o dermatologista e cirurgião Renan Pinheiro. “O tratamento correto necessita de auxílio de profissional médico especialista em tricologia, preferencialmente um dermatologista”, orienta. Segundo o médico, cada tipo de alopecia tem um padrão e um tratamento específico. “Por isso a necessidade do diagnóstico correto”, complementa.
Na alopecia androgenética (calvície) o tratamento medicamentoso, de acordo com Renan Pinheiro, é crucial por ser uma condição genética sem cura. “Quando indicado, a cirurgia de transplante capilar é uma poderosa ferramenta no combate a calvície, porém sozinha e sem tratamento clínico ela não resolve o problema”, reforça.
No caso de medicação oral e tópica, a biomédica e tricologista Sílvia Galbiatti explica que os remédios aumentam o fluxo sanguíneo na cabeça, prolonga e estimula o crescimento dos fios. “Em mulheres, antiandrógenos são as medicações que reduzem a ação dos andrógenos no folículo, diminuindo a miniaturização”, explica. Os tratamentos também incluem terapias injetáveis. “Que atuam na regeneração celular e estímulo à atividade dos folículos”, afirma a tricologista.
Os tratamentos ainda utilizam laser de baixa intensidade (LLLT). “O laser estimula a atividade mitocondrial e o metabolismo celular do folículo”, afirma Sílvia. O microagulhamento também é utilizado. “Promove estímulo mecânico e aumento da permeação de ativos, além de liberar fatores de crescimento”, complementa. Além disso, os tratamentos contam com opções da Medicina Regenerativa e Peptídeos. “O futuro e as Novas tecnologias estão muito favoráveis ao tratamento clínico!”, destaca.
Hábitos
Além de medicamentosos e terapias, hábitos também podem atuar contra a alopecia androgenética ou outras quedas. Sílvia Galbiatti orienta, primeiro, a evitar tração excessiva nos fios: “penteados muito apertados (rabos de cavalo, tranças, alongamentos) podem levar à alopecia por tração”, cita. Procedimentos químicos agressivos também prejudicam. “Alisamentos frequentes, descoloração e calor excessivo fragilizam a haste capilar”, reforça.
Alimentação equilibrada também ajuda. “Alimentação rica em proteínas, ferro, zinco e vitaminas do complexo B e dietas vegetarianas devem ser acompanhadas de nutricionista ou nutrólogo”, reforça. Outros cuidados são de controle. “Estresse crônico, distúrbios hormonais e doenças metabólicas impactam diretamente o ciclo capilar”, alerta a tricologista. Além disso, também há importância da higiene. “Higiene regular é essencial. Lavar cabelo todos os dias não aumenta a queda!”.

