Febre alta persistente, dor de cabeça intensa e rigidez no pescoço são sinais de alerta da meningite – inflamação grave das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Apesar de relativamente conhecida, a doença pode ser confundida com outras infecções, o que dificulta o diagnóstico precoce que pode evitar complicações e salvar vidas. Em Rio Preto, duas crianças morreram por conta da doença neste ano – o último caso, de uma menina de nove anos, foi confirmado pela Secretaria de Saúde do Município, no dia 12 de dezembro.
No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a meningite é considerada uma doença endêmica. A ocorrência de meningites bacterianas, de acordo com o MS, é mais comum no outono-inverno e das virais na primavera-verão. O sexo masculino, segundo o Ministério, também é o mais acometido. Para esclarecer sobre os tipos de infecções da doença, diagnóstico, tratamento e prevenção, a Bem-Estar conversou com três especialistas, como seguem as informações abaixo.
A médica pediatra do serviço de Atenção Integral a Saúde da Unimed Rio Preto Alana Siqueira Balero Garjoni explica que a meningite é um processo inflamatório das meninges – membranas que recobrem o cérebro e a medula espinhal. "Em pediatria representa uma emergência médica, especialmente a meningite bacteriana devido ao potencial de gravidade, podendo levar a sequelas neurológicas graves ou até óbito se não tratada", explica.
A doença, segundo a médica, se apresenta, principalmente, de duas formas: a meningite viral e a bacteriana. A viral, segundo Alana, é a forma mais frequente e menos grave, "podendo ser causada por diversos vírus e o quadro clínico se assemelha a outras doenças virais como gripe e gastroenterites", detalha. Já a meningite bacteriana é a mais grave. "Pode ser causada por diversas bactérias, de acordo com a faixa etária, e necessita de diagnóstico e tratamento rápido", alerta a pediatra.
Existem ainda as formas mais raras como a meningite fúngica, meningite parasitária e meningites não infecciosas. A contaminação, segundo a especialista, ocorre por meio do contato. "Contato com a saliva e/ou secreções respiratórias (fala, tosse, espirro) da pessoa infectada. Por isso, a prevenção inclui higiene, evitar aglomerações e vacinação (para alguns tipos)", reforça a médica.
Sintomas
O médico pediatra também do serviço de Atenção Integral a Saúde da Unimed de Rio Preto Calil Eduardo Feres Bucater afirma que os sintomas da meningite incluem febre alta e persistente, dor de cabeça intensa e rigidez no pescoço, especialmente na região da nuca. "Também podem ocorrer enjoos, vômitos, sensibilidade à luz, sonolência, confusão mental e, em alguns casos, crises convulsivas", orienta.
O especialista alerta que no caso das meningites causadas por meningococos, os sintomas da doença podem ser ainda mais acentuados e exigem atenção imediata. Nos bebês, segundo Calil Eduardo, o diagnóstico se torna ainda mais desafiador, já que os sinais são menos específicos. "Choro inconsolável, irritabilidade, dificuldade para aceitar a alimentação, além da fontanela (moleira) estufada ou abaulada", reforça o pediatra. Segundo o médico, os bebês também podem ter sonolência, vômitos e risco de convulsões, o que exige avaliação médica rápida.
O que pode dificultar o reconhecimento imediato dos sintomas da meningite, segundo o pediatra da Unimed, é a semelhança dos sinais da doença com outros tipos de infecções. "Alguns sintomas podem ser confundidos com os de doenças febris, como dengue ou influenza, que também provocam dores no corpo, mal-estar e febre", observa. Os sinais da meningite também podem ser confundidos com reações a medicamentos que podem gerar indisposição, falta de apetite e vômitos, "o que pode atrasar o diagnóstico inicial da doença", alerta Calil Eduardo.
Diagnóstico
A confirmação de meningite é feita por meio da punção lombar, um exame feito por meio da coleta do líquor da espinha. "A análise desse material permite identificar se a meningite é bacteriana ou viral, o que orienta o tratamento", explica o especialista. O pediatra Calil Eduardo reforça que qualquer paciente — especialmente crianças e bebês — com febre alta, dor de cabeça intensa, náuseas e vômitos deve ser avaliado de imediato. "Além da punção, exames como hemograma, urina e, se houver tosse, radiografia de tórax faz parte da triagem. Porém, diante de dor de cabeça forte, náuseas, vômitos e febre alta e persistente, a coleta do líquor deve ser prioridade", acrescenta.
A rigidez do pescoço, segundo o médico, é um sinal importante. "É essencial observar a movimentação do pescoço, que costuma ficar rígido. Durante o exame de rigidez de nuca, é comum que a criança chore bastante", esclarece. Em casos de suspeita, o tempo é um fator determinante. A orientação é clara: quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de cura e menor o risco de sequelas. "Não se deve permanecer em casa com uma criança com febre alta. É sempre melhor pecar pelo excesso de cuidado do que pela omissão", conclui.

