Fui me orientando no mundo
Desde o nascer do sol.
No usufruto das monções,
Descarrilei DNAs de minha formação,
Até estar entre meus próprios ossos, nua
E, no arcabouço de mim,
Presenciar o surgimento da primeira lua.
Tudo foi construção:
Paredes de muitas florestas
Respiraram meus pulmões.
Terra de tantas gerações solaram meus pés.
Suaram minha pele, o sal de outros mares.
Ciência, Cultura e Arte milenares
Irmanaram meus olhos.
Fui invadida desde os ossos,
Preenchida de tantos céus,
Destituída dos véus,
Amada e desamada,
Rarefeita, quando o sol se punha
E refeita, quando o céu me nascia pura!
Assim, de sol a sol,
Meu tônus muscular, a caminho deste outono,
Chocou-se infindáveis vezes:
Nas nuances dos séculos,
Nas madrugadas duras das probabilidades,
Nos relentos onde adormeci.
De sóis a sóis,
Em meus sonos seculares,
Sonhei milhares de histórias pasárgadas
E desejei minhas memórias
Revisadas no limbo,
Passadas a limpo em meus despertares.
Galopei na ilusão de um tempo infinito
Ele, um Dom Quixote em mim montado,
Aventureiro, sonhador, feliz
E eu, trotando e me desembestando no mundo
Nascendo e renascendo andante
Sendo sempre, apenas uma aprendiz…
