Muita luz, muito silêncio
Fechar os olhos, não adiantava
A luz intensa me dominava.
Era dia sem meio-dia.
Tentar não ouvir, não adiantava
O silêncio abriu meus ouvidos
O silêncio era ensurdecedor
Para o nada ouvir e para o tudo sentir.
Ousei na inocência perguntar
Minha voz sequer ousou murmurar
Apenas pensamento
E questionamento.
A resposta, sem palavras
Senti dissolver toda dúvida
A plenitude existiu dentro da alma
Pelos olhos da consciência.
Percebi sem enxergar
Aprendi sem ver, aprendi sem ser
Que no céu, só existe o céu
Que também não é céu, porém eterno.
Não ouvi, não enxerguei, não apalpei
Senti sem ser matéria
Compreendi na verdade
Todo peso e toda leveza.
Senti a verdade, leve e pesada
Na leveza da alma, senti o meu céu
Senti minha voz, senti minhas palavras
Senti o poder da luz e a dor da treva.
Arrependi, tudo na leveza do céu
E talvez seja tarde
Ou talvez seja pesado o meu céu
Amor leve e eterno espero.
E quando, não existir
Nem mais dias
Nem mais noites
Que meu céu, seja céu, eterno céu!
Erasmo Dantas
Poeta e Administrador de Empresas.
