Nunca desatinei:
a pré-morte é vingativa.
Não me falta robustez,
nem ímpeto no braço,
falta apenas propósito.
Falta ter com quem,
falta o “praquem”.
Há desejo de ser,
mas o estado não responde:
sou presença sem função.
Desejo existe,
mas sem coral não vale a fadiga.
Resta o sono,
O choro se foi,
o tempo passou,
a vida… parece ter passado.
A pré-morte é amarga,
sofrida,
lugar enfadonho,
onde tudo sucumbe,
menos o corpo.
Ainda assim sigo,
Caminhando sem rumo,
vivendo mais do pretérito
que de esperança.
Minha consciência,
fiel parceira,
meus “escrevinhados”,
meu fazer.
Converso no íntimo,
e sobrevivo no verbo.
Contento-me,
como tantos transeuntes
neste mundo precário,
onde há vivos cansados
e fortes sem ofício.
Espero a morte “enfoiçada”
Não com aflição,
mas com honestidade.
Que ela diga ao chegar:
“Tempus non erit amplius”
Enquanto isso,
sigo em silêncio lúcido,
aguardando, quem sabe,
algo melhor porvir.
