Branco ou preto?
Nada percebia o menino
sobre o ser ou estar ou tom algum.
Chamava-o
marronzinho,
o seu tio.
Postado como namoradeira,
à janela do quarto bradava
à passagem (qualquer) do menino
moleque de Sol exposto:
- chegou o marronzinho!
Nada de pele destoava
o sentir do menino.
O tom do erre no dobrado
consonantal, quebrava
acorde, rasgava a passagem
ao frio do corredor.
Não era perversidade aquilo
(o menino de hoje assevera)
à época só não diferenciava
zoada de toada, a sua zanga.
Travessia obrigatória, pela janela
ouvia e passava. E passou
a entender passado, presente
e passagem. E seguiu adiante,
à pele o curtido do marrom,
certo de que tudo na vida passa!
