Anjo moldado no ventre
Reprimido pelo medo.
Nas noites de amor ardente,
Personagem do enredo.
Tendo a auréola de luz
Apagada logo cedo.
Anjo tragado do berço
Escravo da ficção
Massacrado e reprimido,
Buscando a integração.
Nas falanges do destino
O tal anjo messalino
É o fruto da perdição.
Anjo da noite caído
Vaga na rua vazia.
A sarjeta do destino
Compôs sua fantasia.
Tragando o pobre anjo,
A tal ambição ardia.
Anjo que vaga sozinho
À procura de um trocado
Miniatura de adulto
Da sua infância roubado.
Impondo-lhe obrigações
Desde o momento gerado.
Anjo pedindo abrigo
Junto aos desabrigados.
Na ribalta do destino
São todos hostilizados.
Para mim; são inocentes.
Para muitos... são culpados!
Ena Marques Garcia, Professora aposentada, psicopedagoga, escritora e poeta (publicada em 10/9/2023)